O vereador de São Paulo Senival Moura, que pediu afastamento do Partido dos Trabalhadores (PT), foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (28), durante uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de transporte público da capital paulista. As informações foram divulgadas pela imprensa nacional.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Última Parada, conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. A investigação apura suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo a empresa de ônibus Transunião.
Esta é a segunda vez que Senival é preso no caso. Ele havia sido detido em 25 de junho e permaneceu preso até 5 de agosto, quando uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou sua soltura. Na ocasião, a desembargadora Carla Rahal Benedetti entendeu que o prazo da prisão temporária deveria ser de cinco dias, e não de 30, conforme havia sido aplicado inicialmente.
Após a soltura, o Ministério Público recorreu da decisão. Com o avanço das apurações e a apresentação de denúncia contra 21 pessoas, a Justiça determinou novamente a prisão preventiva de sete investigados. A operação desta quarta-feira também teve como alvo outras pessoas suspeitas de envolvimento no esquema.
Investigação apura movimentações milionárias
Segundo as investigações, a Transunião teria sido utilizada para movimentar recursos de origem suspeita e ocultar a participação de pessoas ligadas ao PCC na estrutura empresarial. Os investigadores apuram o uso de intermediários, conhecidos como “laranjas”, para esconder a titularidade de bens e a influência sobre a empresa.
Um relatório de auditoria privada apreendido durante a investigação identificou R$ 48,1 milhões em pagamentos que teriam sido feitos pela Transunião a Senival Moura e a pessoas de seu círculo. De acordo com informações divulgadas pelo SBT News, o Ministério Público apontou que as operações não tinham documentação suficiente para comprovar sua finalidade econômica.
A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. A partir do caso, as autoridades passaram a apurar suspeitas de desvios financeiros e de relações entre integrantes da empresa e membros da organização criminosa.
Em outubro, o Ministério Público denunciou 21 pessoas à Justiça por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro relacionada à empresa. A denúncia representa uma acusação formal, e a responsabilidade criminal dos investigados depende da análise judicial e do devido processo legal.
Defesa contesta nova prisão
A defesa de Senival Moura contestou a nova ordem de prisão e afirmou que questionará a decisão judicial. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os advogados argumentam que não há fatos novos que justifiquem a medida e que a existência de uma denúncia, por si só, não seria suficiente para determinar a prisão preventiva.
Senival nega envolvimento com organização criminosa e com o suposto esquema de lavagem de dinheiro. O caso segue sob investigação e tramitação na Justiça paulista.