Manaus (AM) – Em um dos momentos mais emocionantes após a condenação dos acusados pela morte de Débora Alves da Silva e do bebê Arthur, a mãe da jovem, Paula Alves, afirmou que sente alívio pela decisão da Justiça, mas deixou claro que não consegue perdoar os responsáveis pelo crime.
Gil Romero Machado Batista foi condenado a 63 anos e 7 meses de prisão, enquanto José Nilson Azevedo, conhecido como “Negoinho”, recebeu pena de 17 anos e 8 meses. A sentença foi anunciada na madrugada desta segunda-feira (1º), após seis dias de julgamento.
Ao falar com a imprensa logo após o veredicto, Paula disse que a condenação representa justiça para a filha e o neto.
“O sentimento é que a minha filha vai descansar agora em paz e o meu neto também. Tem justiça. Estou muito feliz. Sei que isso não vai trazer ela nem o Arthur de volta, mas pelo menos a justiça veio”, afirmou.
Durante o julgamento, os dois condenados pediram perdão à família da vítima. No entanto, Paula afirmou que não aceita o pedido, alegando que os acusados nunca revelaram toda a verdade sobre o crime.
“Eu não perdoo. O perdão cabe a Deus. Em nenhum momento ele falou a verdade. Eu esperava que pelo menos contasse o que aconteceu com o Arthur, mas ele não falou”, declarou.
A mãe de Débora também relembrou a dor vivida desde o desaparecimento da filha, em julho de 2023, e disse que a condenação não apaga o sofrimento causado pela perda.
“Eu não queria estar aqui. Queria estar em casa com a minha filha e com o meu neto. Hoje o Arthur era para estar correndo dentro de casa. Eu não posso abraçar minha filha. Isso não é uma vitória, é justiça pelo crime bárbaro que fizeram com eles”, disse emocionada.
Em outro momento, Paula revelou que chegou a pedir para que Gil Romero falasse a verdade quando ele tentou pedir perdão durante o julgamento.
“Quando ele virou para mim e disse que queria meu perdão, eu falei: ‘Meu filho, fale a verdade’. Foi aí que ele começou a chorar. Mas em nenhum momento ele foi verdadeiro”, afirmou.
Apesar da revolta, Paula disse acreditar que o julgamento cumpriu seu papel e que a resposta dada pelos jurados trouxe algum conforto à família.
“Tudo que eu queria era a verdade. Agora eu tenho a certeza de que a justiça dos homens foi feita.”
A morte de Débora Alves, que estava grávida de oito meses, é considerada um dos crimes mais brutais já registrados no Amazonas. O caso gerou grande repercussão e mobilizou familiares, autoridades e a sociedade desde 2023.