Manaus (AM) – O Tribunal do Júri condenou, na madrugada desta segunda-feira (1º), Gil Romero Machado Batista e José Nilson Azevedo, conhecido como “Neguinho”, pelo assassinato de Débora Alves da Silva, de 18 anos, grávida de oito meses, e de seu filho Arthur. O crime ocorreu em julho de 2023 e chocou o Amazonas pela brutalidade.
Gil Romero foi condenado a 63 anos e 7 meses de prisão em regime fechado. Já José Nilson recebeu pena de 17 anos e 8 meses de reclusão. A sentença foi anunciada após seis dias de julgamento no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus.
Segundo o juiz Fábio Alfaia, que presidiu o júri, os jurados acolheram integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público em relação a Gil Romero. No caso de José Nilson, parte das acusações não foi reconhecida pelo Conselho de Sentença.
Durante o julgamento, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, peritos e os próprios réus. O Ministério Público sustentou que os acusados participaram do homicídio qualificado de Débora e Arthur, além dos crimes de aborto sem consentimento da gestante e ocultação de cadáver.
O caso ganhou repercussão nacional após as investigações apontarem que Débora, que mantinha um relacionamento extraconjugal com Gil Romero, foi atraída sob o pretexto de discutir questões relacionadas ao enxoval do bebê. Após desaparecer, ela foi encontrada morta dentro de um tonel, com o corpo carbonizado em uma área do Distrito Industrial de Manaus.
De acordo com as investigações, Arthur teria sido retirado ainda com vida do ventre da mãe antes da ocultação do cadáver.
Feminicídio reconhecido
Durante entrevista após a sentença, o juiz Fábio Alfaia confirmou que a qualificadora do feminicídio foi reconhecida no caso de Gil Romero.
“Foi reconhecida a qualificadora do feminicídio. Procuramos atender às limitações legais e também aos ditames da política pública de combate e prevenção ao feminicídio”, afirmou o magistrado.
O Ministério Público considerou que a decisão representa uma resposta da sociedade diante da gravidade do crime.
Mãe de Débora diz que não perdoa acusados
Após o julgamento, Paula Alves, mãe de Débora, afirmou que sente alívio pela condenação dos responsáveis, mas destacou que a decisão não ameniza a dor da perda.
“Minha filha vai descansar em paz agora e meu neto também. Eu estou muito feliz porque a justiça veio. Não vai trazer minha filha nem o Arthur de volta, mas foi comprovado que existe justiça”, disse.
Questionada sobre os pedidos de perdão feitos pelos condenados durante o julgamento, Paula foi categórica.
“Eu não perdoo. O perdão cabe a Deus. Em nenhum momento ele falou a verdade sobre o que aconteceu com a minha filha e com o meu neto”, declarou.
As defesas ainda poderão recorrer da decisão junto ao Tribunal de Justiça do Amazonas.