Moradores do bairro Mauazinho, na zona leste de Manaus, realizaram um protesto nesta quarta-feira (14) para cobrar obras de contenção de uma cratera que ameaça residências e estabelecimentos comerciais. Segundo os manifestantes, o problema se arrasta há cerca de cinco anos, e dezenas de famílias convivem com o risco de perder suas casas devido ao avanço da erosão.
Durante a manifestação, os moradores percorreram a área afetada e cobraram providências da Prefeitura de Manaus, do Governo do Amazonas e do Governo Federal. Eles afirmam que o período chuvoso se aproxima e temem que novos deslizamentos provoquem o desabamento de outras residências.
Um dos moradores mais preocupados com a situação é Maranhão, que vive na região há mais de 41 anos. Ele afirma que sua residência e seu estabelecimento comercial estão ameaçados e teme ficar sem ter para onde ir.
“Eu estou pelo fio aqui, eu não tenho para onde ir. Eu peço socorro”, desabafou.
Segundo Maranhão, os moradores aguardam uma solução há anos, mas as obras ainda não começaram. Ele também questionou o destino dos recursos anunciados para a intervenção e pediu que as autoridades compareçam ao bairro para verificar pessoalmente a situação.
“Mais de 50 casas já caíram nos buracos aí. E nós estamos há cinco anos pedindo socorro, e ninguém vem socorrer nós”, afirmou.
Durante a reportagem, foi possível observar rachaduras e sinais de comprometimento na área próxima à cratera. De acordo com os relatos dos moradores, o problema começou há aproximadamente cinco anos, quando uma parte da rua cedeu, provocando a destruição de imóveis e a saída de diversas famílias.
Maranhão contou que o estabelecimento comercial que mantinha no local era sua principal fonte de renda. Com o avanço da erosão e o risco de desabamento, os antigos ocupantes deixaram o espaço.
Os manifestantes afirmam que mais de 200 famílias vivem na região afetada ou nas proximidades e cobram uma intervenção urgente para evitar que o problema avance em direção a outras casas e à via principal do bairro.
A preocupação aumenta com a chegada do período de chuvas mais intensas. Os moradores temem que o avanço da erosão comprometa o acesso à comunidade, que, segundo os relatos apresentados durante o protesto, depende de uma entrada principal.
Outro motivo de insatisfação é o valor do auxílio-aluguel disponibilizado a famílias atingidas. Conforme os relatos apresentados durante a manifestação, o benefício é de R$ 600, quantia considerada insuficiente pelos moradores para custear uma moradia adequada.
Eles afirmam que algumas famílias estão há dois ou três meses sem receber o auxílio. A situação preocupa principalmente quem precisa acomodar vários integrantes da mesma família em um imóvel alugado.
Os manifestantes cobram esclarecimentos sobre os pagamentos e defendem que as famílias recebam assistência compatível com suas necessidades enquanto aguardam uma solução definitiva para a área de risco.
Durante o protesto, um integrante do conselho fiscal da Associação dos Moradores Amigos do Mauazinho afirmou que existe uma emenda parlamentar destinada às obras na região. Segundo ele, os recursos estariam disponíveis e uma empresa identificada como ETAM teria sido definida para executar o serviço. No entanto, a intervenção dependeria de uma liberação ambiental.
O representante questionou a demora para o início dos trabalhos, considerando que, conforme sua declaração, já existem recursos e uma empresa responsável pela execução.
A associação também cobrou esclarecimentos sobre a participação dos governos Federal, Estadual e Municipal no andamento do projeto, além de medidas emergenciais para proteger as famílias que permanecem nas proximidades da cratera.
Comunidade cobra resposta antes do período chuvoso
Com cartazes e pedidos de socorro, os moradores cobraram providências das autoridades e criticaram a falta de uma solução definitiva. Durante a manifestação, também fizeram apelos a representantes políticos, pedindo que visitem a comunidade e acompanhem de perto as condições enfrentadas pelas famílias.
A principal reivindicação é o início urgente das obras de contenção ou a retirada segura das famílias que vivem em áreas ameaçadas.
Os moradores alertam que a demora pode agravar os danos e colocar vidas em risco. Eles pedem que os órgãos responsáveis esclareçam a situação dos recursos, a pendência ambiental mencionada pela associação e o cronograma previsto para a execução dos serviços.
O Site Imediato Online deixa espaço aberto para manifestações da Prefeitura de Manaus, do Governo do Amazonas, do Governo Federal e dos demais órgãos citados sobre as denúncias, os recursos destinados à obra, a liberação ambiental e a situação do auxílio-aluguel.