“DESUMANO”: Gestante espera por cesárea e família denuncia descaso, demora e mau atendimento em maternidade de Manaus

Acompanhante afirma que paciente estava com pressão alta, anemia e baixa quantidade de plaquetas e aguardou atendimento cirúrgico após permanecer dias na unidade; família também relata falta de informações e tratamento considerado desrespeitoso
Redação Imediato Online
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Uma família denunciou, na noite desta quinta-feira (1º), uma série de problemas no atendimento a uma gestante internada na Maternidade Estadual Balbina Mestrinho, em Manaus. Segundo o relato da acompanhante, a paciente estava na unidade desde o dia 25 de setembro e aguardava a realização de uma cesárea após apresentar alterações na pressão arterial e outras condições que, segundo a família, exigiam acompanhamento médico.

De acordo com a acompanhante, a gestante inicialmente procurou atendimento, mas não havia leito disponível. A família teria sido orientada a retornar para casa e observar os movimentos do bebê, enquanto a pressão arterial da paciente continuava elevada.

Ainda segundo o relato, posteriormente a gestante foi encaminhada para a Balbina Mestrinho, onde passou por avaliação médica. A acompanhante afirmou que teve dificuldades para explicar o quadro da paciente a um dos médicos e alegou ter sido tratada de maneira inadequada durante a tentativa de relatar os sintomas.

A família afirma que a gestante apresentava pressão arterial elevada, anemia e baixa quantidade de plaquetas, além de um quadro que, segundo os acompanhantes, teria sido identificado pelos profissionais como pré-eclâmpsia.

Segundo a acompanhante, a cesárea teria sido indicada após a equipe médica acompanhar a pressão da paciente, que teria chegado a níveis considerados elevados pela família.

Na quarta-feira (30), a gestante teria sido encaminhada para aguardar a realização do procedimento. Conforme o relato, enquanto esperava, a pressão teria chegado a 17, sendo necessária medicação para tentar controlá-la.

A acompanhante afirma que a paciente permaneceu aguardando e que, apesar da expectativa de realização da cirurgia, o procedimento não ocorreu naquele momento.

Na manhã de quinta-feira, a família teria recebido novamente a informação de que a gestante seria encaminhada para a cesárea. No entanto, segundo a denúncia, a espera continuou por várias horas.

A acompanhante também relatou que havia apenas uma sala destinada aos procedimentos cesáreos para atender uma demanda considerada elevada de pacientes.

Além da demora, a família denunciou episódios que classificou como falta de acolhimento por parte de alguns profissionais.

A acompanhante afirmou que teria sido alvo de risadas, deboche e olhares considerados desrespeitosos enquanto tentava obter informações sobre o estado de saúde da nora.

Ela ressaltou, porém, que não generaliza as críticas para todos os funcionários e reconheceu que há médicos, enfermeiros e técnicos que, segundo ela, prestam um bom atendimento.

A mulher também afirmou que já havia procurado a ouvidoria da unidade e que pretendia formalizar novas reclamações.

Durante a reportagem do Site Imediato, a acompanhante também demonstrou preocupação com a falta de informações sobre a paciente e o bebê após a entrada no centro cirúrgico.

Segundo ela, familiares teriam dificuldade para obter notícias sobre o procedimento e sobre o estado de saúde da mãe e da criança.

Durante a transmissão, outra pessoa presente na unidade afirmou que a cesárea havia sido realizada e que mãe e bebê estavam bem. Segundo esse relato, a demora teria ocorrido em razão da superlotação e da necessidade de priorização de pacientes consideradas mais graves, inclusive encaminhadas de outras maternidades e municípios.

A informação, entretanto, não foi oficialmente confirmada à equipe de reportagem por um responsável pela maternidade durante a transmissão.

Unidade estava lotada, segundo relatos
Outro acompanhante ouvido pela reportagem afirmou que a maternidade estava recebendo pacientes encaminhadas de outras unidades e municípios e que os casos seriam classificados conforme a gravidade.

Segundo ele, a gestante que motivou a denúncia teria aguardado porque havia pacientes consideradas mais graves sendo encaminhadas para o centro cirúrgico.

O relato também apontou que, após a realização da cesárea, o bebê estaria bem.

A equipe do Imediato Online tentou obter esclarecimentos de um responsável pela unidade sobre as denúncias apresentadas pela família, incluindo a demora para a realização da cesárea, as condições de atendimento, a disponibilidade de leitos e as acusações de tratamento inadequado. Até o encerramento da reportagem, porém, não houve manifestação oficial de um representante da maternidade.

O Imediato Online mantém espaço aberto para que a direção da Maternidade Estadual Balbina Mestrinho e os órgãos responsáveis apresentem esclarecimentos sobre o caso.

As informações sobre o estado clínico da gestante e do bebê foram relatadas pelos familiares e acompanhantes durante a reportagem e não substituem a avaliação ou confirmação oficial da equipe médica responsável.

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