“Ele disse que ia me matar”: mulher denuncia invasão do apartamento pelo ex-companheiro mesmo com medida protetiva em Manaus

Jennifer Letícia afirma que o ex-companheiro arrombou a porta do imóvel, retirou as fechaduras e tentou impedir seu acesso; advogada diz que decisão judicial manteve parte das medidas protetivas.
Redação Imediato Online
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Uma mulher denunciou que teve o próprio apartamento invadido pelo ex-companheiro, mesmo estando sob medida protetiva, em Manaus. Segundo Jennifer Letícia, o homem teria arrombado a porta do imóvel, retirado as fechaduras e permanecido no local acompanhado do pai e de um chaveiro. O caso envolve ainda uma disputa judicial sobre a permanência da vítima no apartamento onde, segundo ela, mora há cerca de dez anos.

Em entrevista ao Site Imediato, Jennifer relatou que possui medida protetiva desde 2022, após denunciar uma série de episódios de violência durante o relacionamento. Segundo ela, entre os relatos estão agressões físicas, violência psicológica, perseguição e episódios em que teria sido impedida de sair de casa.

“Eu tenho a medida protetiva desde 2022. Ela foi concedida porque desde o dia que eu pedi o divórcio […] ele começou a me deixar trancada dentro de casa”, relatou.

Jennifer afirma ainda que, em um dos episódios mais graves, teria sido enforcada enquanto segurava o filho no colo. Ela conta que acionou a polícia na ocasião, mas diz ter sido desencorajada a registrar a denúncia.

Segundo a mulher, mesmo após a separação, os episódios de perseguição teriam continuado. Ela afirma possuir mais de dez boletins de ocorrência relacionados ao caso.

De acordo com Jennifer, após passar meses internada e retornar para casa com os filhos, ela enfrentou dificuldades financeiras. O imóvel teria ficado sem energia depois que o ex-companheiro, segundo a defesa, solicitou o desligamento do serviço.

A advogada Sâmia Furtado afirma que a situação acabou sendo utilizada no processo judicial para sustentar que Jennifer não estaria mais morando no apartamento.

Segundo a defensora, uma assistente social também teria sido impedida de entrar no condomínio em uma ocasião e recebido a informação de que Jennifer não residia mais no local. Posteriormente, conforme a advogada, o condomínio teria enviado uma retratação afirmando que houve um equívoco.

Ainda de acordo com Sâmia, duas disposições da medida protetiva relacionadas especificamente ao imóvel foram revogadas, enquanto outras determinações permaneceram em vigor, incluindo o afastamento do ex-companheiro.

Jennifer conta que descobriu a presença do ex-companheiro no apartamento ao retornar ao local para buscar pertences pessoais e objetos dos filhos.

Segundo ela, o homem estava dentro do imóvel acompanhado do pai e de um chaveiro, enquanto a fechadura da porta era retirada.

A mulher afirma que acionou seu advogado e, posteriormente, foi à delegacia para registrar o episódio.

Após deixar a unidade policial, Jennifer relata que ainda teria enfrentado dificuldades para entrar no próprio condomínio.

“A portaria disse que eu não podia mais entrar, porque o senhor Douglas tinha proibido a minha entrada”, afirmou.

Ela também relata que precisou acionar a polícia diante da situação e que, em outros momentos, teria sido impedida novamente de acessar o condomínio.

A advogada Sâmia Furtado afirma que posteriormente conseguiu uma decisão específica determinando que o condomínio não poderia restringir o acesso de Jennifer ao imóvel.

Jennifer afirma que continua com medo de deixar o apartamento e não conseguir retornar. Segundo ela, a situação também afeta os dois filhos.

“Eu não me sinto segura. Eu não consigo mais sair para trabalhar, não consigo nada”, declarou.

A mulher também fez um apelo para que seu relato seja conhecido pelos filhos caso algo aconteça com ela.

A advogada afirma que o caso reúne processos nas áreas criminal e de família e que a cliente possui registros anteriores de denúncias. Segundo Sâmia, o objetivo atual é garantir que as determinações judiciais sejam efetivamente cumpridas e que Jennifer tenha segurança para permanecer em casa com os filhos.

O Site Imediato buscou ouvir a versão do ex-companheiro e do condomínio citados no relato. O espaço permanece aberto para manifestação dos envolvidos, caso desejem apresentar suas versões sobre os fatos.

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