O Amazonas enfrenta um período crítico de queimadas e incêndios florestais, com aumento expressivo no número de ocorrências registrado em setembro. Durante uma coletiva realizada nesta quarta-feira (23), representantes da Segurança Pública, Corpo de Bombeiros, Sema, Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil e órgãos ambientais apresentaram um balanço das ações de enfrentamento e fizeram um alerta à população.
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o número de incêndios registrados em setembro já supera em mais de 300% o contabilizado no mesmo período do ano passado. Considerando todo o ano, o aumento passa de 130%.
Atualmente, quase mil servidores estão mobilizados em diferentes municípios do Estado para atuar no combate aos incêndios.
De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, o cenário é agravado pelas altas temperaturas, baixa umidade do ar e pelo período prolongado sem chuvas em algumas regiões. No entanto, a corporação afirma que a ação humana tem sido um dos principais fatores relacionados ao aumento dos focos.
“Quase que a totalidade desses incêndios tem origem humana”, afirmou o comandante.
O Corpo de Bombeiros também relatou situações de reincidência. Somente na terça-feira (22), uma equipe precisou ser deslocada cinco vezes para o mesmo local, na região do V8, em Manaus, após novos focos surgirem poucas horas depois da extinção das chamas.

As autoridades reforçaram que o uso do fogo está proibido durante o período de vigência do decreto estadual que suspende queimadas por 120 dias.
O Corpo de Bombeiros informou que ampliou de 11 para 25 o número de quartéis fixos no interior do Amazonas desde maio de 2025. Outros sete quartéis estão previstos para implantação em curto prazo.
Novas viaturas também estão sendo incorporadas à estrutura de combate. Quatro veículos de grande porte devem entrar em operação no início de outubro em Manaus, representando um investimento superior a R$ 13 milhões. Outra viatura será destinada à região Sul do Amazonas.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também anunciou o reforço das ações na Região Metropolitana de Manaus, que reúne 13 municípios.

A operação terá três eixos de atuação:
Eixo 1: Iranduba, Manacapuru, Novo Airão e Manaus;
Eixo 2: Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Silves, Itapiranga e Itacoatiara;
Eixo 3: Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Manaquiri e Autazes.
As equipes contarão com veículos equipados com internet via Starlink e novos drones para auxiliar na identificação e acompanhamento dos focos de calor.
Segundo o Ipaam, a tecnologia também permitirá identificar propriedades onde forem registrados focos de incêndio. A partir do cruzamento das informações com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), áreas poderão ser embargadas quando forem constatadas irregularidades.
A Polícia Militar informou que atua em conjunto com os órgãos ambientais por meio do Comando de Policiamento Ambiental e da Operação Alerta Fogo, na Região Metropolitana.
No Sul do Amazonas, equipes também estão mobilizadas em municípios como Apuí, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Humaitá e Boca do Acre.

Polícia alerta para crime ambiental
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema), reforçou que provocar incêndio pode configurar crime e resultar em prisão em flagrante.
A delegada destacou a importância de a população registrar imagens, placas de veículos e outras informações que possam ajudar na identificação de pessoas envolvidas em queimadas ou descarte irregular de materiais.
As autoridades orientam que situações suspeitas sejam denunciadas à Polícia Militar pelo 190, pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo Comando de Policiamento Ambiental, no número (92) 98842-1553.
A Defesa Civil informou que atualmente 17 municípios do Amazonas estão em situação de emergência, 19 em alerta, cinco em situação de atenção e 21 dentro da normalidade.
A previsão para o próximo trimestre indica pouca chuva principalmente na porção oeste do Estado. A região também registra temperaturas elevadas, com vários dias acima dos 35°C.
Em Manaus, segundo os representantes do Estado, a combinação de calor intenso, baixa umidade e concentração de partículas provenientes das queimadas contribui para a piora da qualidade do ar.
As autoridades reforçaram o pedido para que a população não coloque fogo em áreas de vegetação, lixo ou terrenos, diante do risco de que pequenos focos se transformem em incêndios de grandes proporções.