O professor Vinícius Siqueira, de 23 anos, prestou depoimento nesta segunda-feira (31) na Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (DEAAI), em Manaus, sobre o ataque sofrido dentro de uma sala de aula no dia 26 de agosto. O jovem foi atingido por nove golpes de faca desferidos por um adolescente.
Após deixar a unidade policial, Vinícius falou sobre o processo de recuperação e afirmou que está evoluindo bem. Segundo ele, já consegue caminhar e realizar atividades, apesar de ainda sentir dores.
“Eu estou me recuperando muito bem, graças a Deus. Eu consigo andar, consigo realizar as atividades. Claro que eu sinto um pouquinho de dor, não é a mesma coisa que antes, mas eu tenho total noção de que foi um milagre”, relatou.
“ELE DIZIA, EU VOU MORRER”: Testemunha conta como salvou professor esfaqueado por aluno em Manaus
O professor também destacou a importância da ajuda recebida logo após o ataque. Segundo Vinícius, o socorro prestado por Alan Marques foi fundamental para que ele recebesse atendimento rapidamente.
Para o professor, uma série de fatores contribuiu para que ele sobrevivesse ao ataque. Ele afirmou que os golpes não atingiram regiões que poderiam ter causado uma consequência fatal e ressaltou a atuação da testemunha que o encontrou e pediu ajuda.
“Poucas pessoas acho que parariam para, vivendo uma situação dessa, se dispor da forma que ele se dispôs”, afirmou Vinícius.
Professor não esperava ser atacado
Vinícius contou que estava apenas na terceira ou quarta aula com o adolescente e que, até aquele momento, não havia percebido qualquer comportamento que pudesse indicar que seria atacado.
“Nunca, em nenhum momento, esperava nada que fosse acontecer”, disse.
Segundo o professor, ele e o aluno estavam começando a acompanhar o desempenho escolar e se preparavam para a segunda avaliação. Por isso, Vinícius afirmou não conseguir identificar uma possível motivação para o ataque.
“Não consigo citar nenhuma causa, nenhuma coisa que justifique um ato desse”, declarou.
“Eu ia morrer naquele momento”
Ao lembrar do momento do ataque, o professor revelou que acreditou que não sobreviveria. Segundo ele, a adrenalina tomou conta da situação e seu principal pensamento foi a preocupação com os pais.
“Eu acho que eu lembro de pensar muito que eu ia morrer naquele momento ali, que meus pais iam ficar muito mal”, relatou.
Vinícius também afirmou que teve medo de não ser encontrado a tempo, já que o ataque ocorreu dentro de uma sala de aula.
O professor chegou a assistir ao vídeo que registrou o ataque, mas afirmou que se arrependeu de ter visto as imagens.
Recuperação e futuro profissional
Vinícius permaneceu três dias internado após o ataque. Ele afirmou que recebeu atendimento médico e destacou o apoio dos profissionais de saúde, familiares, amigos e até de pessoas que não conhecia.
O professor também revelou que ainda não sabe se pretende voltar a dar aulas.
“Eu sei que eu tenho muitas coisas a tratar, que dar aula talvez não seja uma coisa que eu pretenda retornar a fazer”, afirmou.
Investigação
A advogada que acompanha o caso informou que o depoimento prestado nesta segunda-feira se concentrou nos acontecimentos relacionados à cena do crime. Segundo ela, testemunhas já foram ouvidas, assim como o adolescente envolvido no caso.
Por envolver um menor de idade, a investigação segue sob as regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece proteção à identidade e a informações relacionadas ao adolescente.
“ELE DIZIA, EU VOU MORRER”: Testemunha conta como salvou professor esfaqueado por aluno em Manaus
A defesa da vítima afirmou ainda que a Polícia Civil está concluindo as diligências para encaminhar o relatório da investigação ao Ministério Público.
A possível responsabilidade dos pais do adolescente também deverá ser analisada pelas autoridades competentes, especialmente diante dos relatos sobre uma eventual omissão de socorro após o ataque. A advogada ressaltou que cabe ao Ministério Público avaliar se houve responsabilidade ou omissão por parte dos responsáveis.
Enquanto o caso segue em investigação, Vinícius continua se recuperando dos ferimentos e recebendo acompanhamento da família.