“Crime organizado era administrado pela gestão pública”, diz delegado sobre operação no AM

Operação da Polícia Civil do Amazonas revela que o crime organizado era administrado pela própria gestão pública no estado.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O núcleo político investigado na Operação Erga Omnes, deflagrada nesta sexta-feira (20), em Manaus, era responsável por captar recursos junto a traficantes, organizar valores para a compra de drogas na Colômbia e lavar o dinheiro por meio de empresa de logística, segundo a Polícia Civil do Amazonas.

“O crime organizado estava sendo administrado pela própria administração pública”, afirmou o delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação.

De acordo com a polícia, as drogas eram adquiridas na região de fronteira, em Tabatinga, e depois distribuídas em Manaus e em outros municípios do Amazonas, além de outros estados.

R$ 70 milhões em movimentações suspeitas

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram cerca de R$ 70 milhões em movimentações financeiras consideradas atípicas ao longo de quatro anos de apuração.

Segundo as investigações, parte dessas transações envolvia servidores e ex-servidores públicos de diferentes esferas — municipal, legislativa, executiva e até judiciária — além de integrantes das forças de segurança.

Até o momento, 11 pessoas foram presas, sendo sete no Amazonas e outras em estados diferentes. Dos 24 mandados de prisão expedidos, 13 já foram cumpridos. Alguns investigados seguem foragidos.

Empresas de logística e infiltração

A polícia aponta que empresas do ramo de logística eram utilizadas para transportar drogas e movimentar recursos ilícitos. As análises financeiras indicaram que essas empresas mantinham transações diretas com traficantes e servidores investigados.

A investigação também apura indícios de tentativa de obtenção de informações sigilosas para antecipar ações policiais.

Líder foragido

O apontado como líder do grupo, Alan Kleber, está foragido. Segundo a polícia, ele fugiu de um endereço em São Paulo durante a madrugada. A esposa dele foi presa.

Ainda conforme o delegado, o investigado se apresentava como evangélico e frequentava igreja em Manaus. Há suspeita de que templos religiosos tenham sido utilizados como forma de camuflagem para despistar investigações.

Investigação continua

Até o momento, não há políticos com foro privilegiado formalmente incluídos na investigação. A Polícia Civil informou que novas provas seguem sendo analisadas para identificar outros possíveis envolvidos.

foto: Reprodução

Carregar Comentários