A Polícia Civil do Amazonas apreendeu nesta quinta-feira (10) o segundo adolescente suspeito de participação na agressão que resultou na morte de Fernando Vilaça da Silva, de 17 anos. O crime ocorreu no último dia 3 de julho, na Rua Três Poderes, no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste de Manaus.
Fernando foi espancado após ser alvo de provocações e bullying por parte de outros adolescentes. Segundo familiares, o jovem saiu de casa para comprar um pacote de leite e acabou sendo agredido. Ele sofreu traumatismo craniano após receber chutes e pisões na cabeça.
Em entrevista, Valdesci Ferreira, pai de Fernando, desabafou sobre a dor da perda e a busca por justiça. Segundo ele, o filho era um jovem dedicado à família, com quem mantinha uma relação de amizade e cumplicidade. “Meu filho tinha acabado de chegar do colégio. Eu que levava e buscava ele e a irmã todos os dias. Deixei ele em casa e saí para trabalhar como motorista de aplicativo. Pouco depois, me ligaram dizendo que ele tinha sido agredido na rua. Ele tinha saído apenas para comprar leite”, contou.
O pai também relatou que Fernando vinha sendo alvo de constantes provocações. “O menino mexia com ele, fazia bullying, dizia que ele tinha cabelo de ‘piadinho’, que gostava de homem, chamava de nomes. Uma hora a gente cansa. Ele foi tirar satisfação e acabou acontecendo essa tragédia”, afirmou emocionado.
Valdesci destacou ainda que os agressores agiram com extrema violência. “Segundo informações que recebemos da mãe, dos irmãos e de vizinhos, o agressor, que é primo do primeiro que foi apreendido, chutou a cabeça do meu filho duas vezes. Isso causou o traumatismo craniano que tirou a vida dele”, lamentou.
Apesar da dor, o pai reforçou o pedido para que a justiça seja feita. “Eu criei meu filho não só como filho, mas como amigo. Sinto muito a falta dele. A gente sabe que ele não vai voltar, mas a única coisa que esperamos agora é que esses jovens continuem presos e paguem pelo que fizeram”, desabafou.
O advogado da família, Alexandre Torres, também comentou o andamento das investigações. “É uma vitória para a família. O segundo envolvido já foi apreendido e as investigações seguem de forma rápida e firme. Ontem mesmo os familiares fizeram o reconhecimento formal dos agressores perante a autoridade policial”, afirmou.
O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil do Amazonas. A família aguarda a conclusão do inquérito e confia que a justiça será feita.

Foto: Tarcísio Heden