Caso Master: PF indicia Vorcaro e aponta prejuízo de R$ 2,7 bilhões ao BRB

PF indicia Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas no caso Master. Investigação aponta prejuízo de R$ 2,7 bilhões ao BRB.
Redação Imediato Online
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A Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros em operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Segundo a investigação, as transações analisadas provocaram prejuízo estimado em R$ 2,7 bilhões ao banco público. O relatório foi divulgado nesta quarta-feira (28).

O caso envolve a negociação de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB. A PF afirma que parte dos créditos não tinha comprovação de existência e aponta suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O indiciamento é uma conclusão da investigação policial e não representa condenação judicial.

Investigação aponta operações bilionárias
De acordo com o relatório policial, as operações entre as duas instituições movimentaram cerca de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, aproximadamente R$ 12,2 bilhões correspondiam a créditos cuja existência não foi comprovada pelos investigadores.

Uma das frentes da apuração envolve a Tirreno, empresa apontada pela PF como parte da estrutura utilizada nas transações investigadas. Segundo os investigadores, carteiras de crédito atribuídas à empresa foram negociadas com o BRB sem comprovação suficiente de sua origem e validade.

A PF também atribuiu a Vorcaro participação direta nas operações. O relatório afirma que, na condição de controlador do Master, ele teria atuado nas decisões relacionadas à formação e transferência das carteiras de crédito e na obtenção de recursos para a instituição.

Além de Vorcaro, foram indiciados o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-sócio do Master Augusto Lima e antigos dirigentes e funcionários ligados às duas instituições. Os investigados são suspeitos, conforme a participação atribuída a cada um, de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

PF pede mais prazo para concluir investigação
Apesar da conclusão desta etapa, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação das investigações por mais 60 dias. O prazo adicional deverá permitir a conclusão de perícias pendentes e a elaboração de um relatório complementar.

O material foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por avaliar os elementos reunidos e decidir sobre eventuais medidas no âmbito de sua competência. O indiciamento policial, por si só, não torna os investigados réus: isso depende das etapas seguintes do processo.

Defesa de Vorcaro contesta prejuízo
A defesa de Daniel Vorcaro negou que as operações envolvendo a Tirreno tenham causado prejuízo ao BRB. Em nota, os advogados afirmaram que as carteiras de crédito foram substituídas por outros ativos e contestaram a conclusão da Polícia Federal sobre as perdas financeiras.

A defesa também criticou o andamento da investigação e afirmou que, na sua avaliação, não houve comprovação pericial oficial do prejuízo apontado. As alegações da defesa divergem das conclusões apresentadas pela PF no relatório de indiciamento.

O caso continua sob análise das autoridades. A eventual responsabilização criminal dos investigados dependerá das próximas etapas judiciais e da avaliação das provas.

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