Amazonas tem seis novos registros na ‘Lista Suja’ do trabalho escravo

Atualização do Ministério do Trabalho inclui cinco empregadores do estado em seis registros; casos envolvem garimpo, atividades rurais e trabalho doméstico
Redação Imediato Online
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O Amazonas teve seis registros incluídos na nova atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “Lista Suja”. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Os registros são resultado de fiscalizações realizadas entre 2024 e 2026 e envolvem 61 trabalhadores resgatados no estado. Os casos estão relacionados a atividades de garimpo, exploração rural, extração de madeira, pecuária, manejo florestal e trabalho doméstico.

Veja os nomes incluídos no Amazonas
Os seis registros correspondem a cinco empregadores, já que Gerson Vieira da Silva aparece duas vezes no cadastro, em razão de autuações distintas:

Centro de Equoterapia Manaus — 2 trabalhadores resgatados em fiscalização realizada em 2024;
Francisco Roberto Alencar Bandeira — 2 trabalhadores resgatados em 2025, em atividade rural em Humaitá;
Gerson Vieira da Silva — 50 trabalhadores resgatados em fiscalização de 2024;
Gerson Vieira da Silva — 4 trabalhadores resgatados em fiscalização de 2025;
Ivan Belizario da Silva — 2 trabalhadores resgatados em 2026, em área rural relacionada à extração de madeira e pecuária;
Thiago Trindade de Assis — 1 trabalhador resgatado em 2026, em atividade relacionada a manejo florestal e pecuária.

Garimpo concentra maior número de resgates
Os dois registros envolvendo Gerson Vieira da Silva concentram 54 dos 61 trabalhadores resgatados nos casos incluídos no Amazonas nesta atualização.

As fiscalizações ocorreram em áreas de garimpo na região de fronteira entre Amazonas e Pará e na região dos rios Tapajós e Jamanxim. Um dos casos envolveu o resgate de 50 trabalhadores durante uma fiscalização realizada em 2024.

O nome de Gerson Vieira da Silva aparece duas vezes porque são processos administrativos distintos, referentes a diferentes ações fiscais.

O caso também foi alvo de investigações da Polícia Federal relacionadas à exploração ilegal de minérios.

Caso de trabalho doméstico
Outro registro incluído é o de Thiago Trindade de Assis, relacionado a uma fiscalização envolvendo uma trabalhadora doméstica.

O caso ocorreu em Manaus e resultou no resgate de uma mulher que, segundo informações divulgadas pelas autoridades, havia sido levada ainda adolescente para trabalhar em uma residência familiar e permaneceu por mais de duas décadas exercendo atividades domésticas sem salário fixo e sem direitos trabalhistas básicos.

Amazonas está entre os estados com mais registros
Com seis novos registros, o Amazonas aparece entre os estados com maior número de inclusões nesta atualização, empatado com o Maranhão.

Minas Gerais teve o maior número de novos registros, com 19, seguido pela Bahia, com oito. Amazonas e Maranhão aparecem na sequência, com seis cada.

Em todo o país, o MTE incluiu 82 novos empregadores no cadastro. Os registros estão distribuídos por 21 estados e envolvem 553 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.

Do total, 54 registros são de pessoas físicas e 28 de pessoas jurídicas. Na mesma atualização, 151 empregadores foram retirados do cadastro após completarem o período de dois anos de permanência.

Como funciona a ‘Lista Suja’
A inclusão no cadastro não ocorre imediatamente após uma fiscalização. Segundo o MTE, cada auto de infração dá origem a um processo administrativo, no qual o empregador tem direito à defesa.

O nome só é incluído na “Lista Suja” depois da conclusão do processo referente à autuação por trabalho análogo à escravidão, quando há decisão administrativa definitiva pela procedência da infração.

Após a inclusão, o empregador permanece no cadastro por dois anos. A atualização é feita semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O cadastro existe desde 2003 e tem como finalidade dar transparência às ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão.

Segundo o MTE, desde 1995, mais de 70 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão no Brasil. No período, mais de R$ 171 milhões foram pagos aos trabalhadores em verbas salariais e rescisórias durante as operações.

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