Uma mãe de três crianças com transtorno do espectro autista (TEA) denuncia dificuldades para conseguir atendimento especializado para os filhos na rede pública de saúde de Manaus. Moradora do bairro Alvorada 2, na Zona Centro-Oeste da capital, Sônia afirma que enfrenta dificuldades para obter terapias, medicamentos e acompanhamento adequado para as crianças.
Segundo a mãe, um dos filhos passou por uma triagem no CAIC TEA, centro especializado no atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista, no dia 15 de julho. Desde então, ela afirma que aguarda uma resposta sobre a disponibilidade de uma vaga.
De acordo com Sônia, ao procurar a unidade novamente, no dia 18 de agosto, foi informada de que o filho não poderia ser atendido no local por apresentar outras condições de saúde.
A mãe afirma que a criança tem asma e um cisto no crânio e que, segundo ela, funcionários teriam informado que a unidade não receberia pacientes com essas condições associadas ao TEA.
“Eu só quero que o meu filho tenha direito às terapias, todos os três”, relatou a mãe durante entrevista.
Família relata falta de terapias
Sônia afirma que nenhum dos três filhos recebe atualmente acompanhamento terapêutico pela rede pública. Segundo ela, as crianças têm idades de 11 e 14 anos, além de um terceiro filho, e dependem de cuidados constantes.
A mãe também relata dificuldades para conseguir medicamentos. Segundo ela, o filho utiliza aripiprazol e o medicamento de 15 mg estaria em falta na rede pública. Diante da ausência do remédio, ela afirma que passou a utilizar uma apresentação de 10 mg, obtida após doações.
Além dos problemas relacionados à saúde dos filhos, a família enfrenta dificuldades financeiras e de moradia. Sônia afirma que não trabalha porque precisa permanecer em casa para cuidar das crianças e que vive em um imóvel cedido.
Mãe procurou a Defensoria Pública
Diante das dificuldades para conseguir atendimento, Sônia afirma que procurou a Defensoria Pública para buscar ajuda. Ela também diz ter procurado a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) em busca de esclarecimentos sobre o atendimento no CAIC TEA.
Segundo a mãe, a unidade teria informado que encaminharia a situação à Secretaria de Saúde, mas ela afirma que ainda não recebeu um posicionamento.
A família também busca uma alternativa de moradia. Sônia relata que já realizou cadastros para programas habitacionais e afirma ter procurado autoridades para solicitar a inclusão da família em um imóvel.
Situação da família
A mãe conta que precisa dedicar praticamente todo o tempo aos cuidados dos filhos e afirma que enfrenta dificuldades para conciliar os atendimentos médicos, a rotina escolar e as necessidades das crianças.
Ela também relata que um dos filhos apresenta comportamento de agitação e necessita de acompanhamento especializado. A família pede acesso às terapias e aos serviços de saúde indicados para as crianças.
A reportagem deixa espaço para manifestação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e dos responsáveis pelo CAIC TEA sobre a situação relatada pela família, especialmente em relação aos critérios de atendimento, à existência de fila de espera e à previsão para disponibilização de vagas.