Nome sujo: pagar, negociar ou esperar? O que faz mais sentido?

Economista explica como organizar as contas, negociar dívidas e evitar acordos que podem comprometer ainda mais o orçamento.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Marcus Evangelista
Economista

Quando uma dívida atrasa e o nome vai parar nos órgãos de proteção ao crédito, muita gente entra em desespero. E eu entendo. Ninguém gosta de receber cobrança, ver o limite desaparecer ou descobrir que está com dificuldade para conseguir crédito.

Mas existe uma coisa que sempre digo: dívida não se resolve com desespero. Resolve-se com estratégia.

A primeira reação de muita gente é tentar pagar de qualquer jeito. Faz um empréstimo para quitar o cartão, parcela uma dívida em dezenas de vezes ou assume uma prestação que mal cabe no orçamento.

E aí mora o perigo. Nem todo acordo é um bom acordo.

Se eu devo R$ 10 mil e aceito uma negociação que transforma essa dívida em R$ 18 mil, com parcelas que vão comprometer meu orçamento durante anos, preciso analisar muito bem antes de assinar.

Por outro lado, simplesmente ignorar a dívida também não costuma ser uma boa estratégia. Os juros podem aumentar o saldo, as cobranças continuam e a restrição de crédito pode trazer dificuldades para a vida financeira.

Então, o que eu faria?

Primeiro, colocaria todas as dívidas no papel: para quem devo, quanto devo hoje, qual a taxa de juros e há quanto tempo está atrasada.

Depois, separaria as dívidas mais caras. Cartão de crédito e cheque especial, por exemplo, normalmente merecem atenção especial porque podem carregar juros muito elevados.

O próximo passo seria negociar.

E negociar não significa aceitar a primeira proposta.

Pergunte quanto fica para pagamento à vista. Peça desconto sobre juros e encargos. Compare o valor original com o valor cobrado atualmente. Se for parcelar, descubra o valor total que será pago até a última prestação.

Principalmente: não aceite uma parcela apenas porque ela parece pequena.

Uma prestação de R$ 300 pode parecer confortável. Mas, se forem 60 parcelas, estamos falando de R$ 18 mil.

Faça a conta.

Existe ainda aquela pergunta muito comum: “Se meu nome já está sujo, não é melhor esperar?”

Depende.

A anotação negativa não pode permanecer indefinidamente nos cadastros de inadimplentes — em regra, há limite de cinco anos para a informação negativa relacionada à dívida. Mas isso não significa que, depois desse prazo, a dívida simplesmente desaparece ou que você automaticamente deixa de ter qualquer obrigação relacionada a ela.

Por isso, esperar apenas para “a dívida caducar” não deveria ser tratado como estratégia financeira.

Na minha visão, o melhor caminho é recuperar o controle.

Se hoje você não consegue pagar, organize o orçamento e comece a formar uma reserva para negociar. Muitas vezes, ter dinheiro disponível para apresentar uma proposta à vista aumenta bastante seu poder de negociação.

E existe uma regra que considero fundamental:

Nunca faça um acordo que você já sabe que não conseguirá cumprir.

Quebrar um acordo pode colocar você novamente em uma situação difícil e desperdiçar uma oportunidade de negociação.

Estar com o nome negativado é um problema financeiro. Mas não precisa virar um problema permanente.

Organize. Negocie. Compare. Faça contas.

E lembre-se: sair das dívidas não é simplesmente pagar o que estão cobrando. É pagar da maneira que permita que você volte a respirar financeiramente.

 

Carregar Comentários