A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) a identificação de hidrocarbonetos em um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, durante a perfuração do bloco FZA-M-59. A descoberta foi registrada no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma região considerada estratégica para a exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira.
O poço, identificado como 1-BRSA-1405-APS, está situado em uma lâmina d’água de aproximadamente 2.886 metros. A presença de hidrocarbonetos foi constatada por meio de perfis elétricos e de indicativos encontrados nas rochas durante as atividades de perfuração.
A identificação, segundo a Petrobras, representa indícios da presença de petróleo ou gás natural na área. As operações, entretanto, ainda estão em andamento para dar continuidade à avaliação exploratória e determinar as características e o potencial da descoberta.
A Petrobras possui 100% de participação no bloco. Para a presidente da estatal, Magda Chambriard, o resultado reforça as perspectivas positivas em relação à Margem Equatorial brasileira.
“Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, afirmou.
Exploração é alvo de críticas ambientais
A perfuração do poço ocorre em meio a debates sobre os impactos ambientais da exploração de petróleo na região. A Petrobras recebeu autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a perfuração em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada no Brasil.
Na época, especialistas em meio ambiente e energia manifestaram preocupação com a autorização. Ricardo Fujii, engenheiro elétrico e especialista em conservação do WWF-Brasil, classificou a medida como uma ameaça a uma das regiões de maior biodiversidade do planeta.
Segundo Fujii, a exploração de novas fronteiras petrolíferas na Amazônia poderia representar riscos ambientais e contrariar compromissos relacionados à agenda climática.
Acidente interrompeu atividades em 2026
O processo de exploração também enfrentou um incidente em janeiro de 2026, quando um vazamento de fluido de perfuração provocou a paralisação temporária das atividades.
Dias depois, o Ibama confirmou que houve descarga do fluido para o mar. A substância é uma mistura oleosa utilizada em atividades de exploração e produção de petróleo e gás.
De acordo com o órgão ambiental, o material continha componentes classificados como de risco médio à saúde humana e ao ecossistema aquático, conforme parâmetros estabelecidos pela legislação ambiental.
Em razão do episódio, a Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões.
A estatal agora dá continuidade à perfuração do poço Morpho para avaliar os indícios encontrados e verificar o potencial da área, enquanto a exploração na Margem Equatorial permanece no centro do debate sobre segurança energética, produção de petróleo e preservação ambiental.