Treze pessoas foram presas preventivamente durante a Operação La Máquina, deflagrada nesta quinta-feira (13), contra uma organização criminosa suspeita de utilizar aviões de pequeno porte e pistas clandestinas para transportar drogas da Amazônia para diferentes regiões do país.
Ao todo, foram cumpridos 43 mandados judiciais, sendo 13 de prisão preventiva, quatro medidas cautelares diversas da prisão e 26 mandados de busca e apreensão.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros e o sequestro de bens relacionados aos investigados.
Entre os bens atingidos pelas medidas estão 31 veículos, avaliados em cerca de R$ 3 milhões, além de dois centros comerciais apontados nas investigações como vinculados às atividades do grupo.

As ações ocorreram simultaneamente no Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina.
Organização utilizava aviões e pistas clandestinas
Segundo as investigações, a organização possuía uma estrutura especializada para transportar drogas utilizando os modais aéreo, fluvial e terrestre.
O grupo contaria com pessoas responsáveis pelo financiamento das operações, contratação e pilotagem de aeronaves, manutenção, abastecimento, armazenamento e distribuição dos entorpecentes.
As investigações identificaram ainda pistas clandestinas de pouso e decolagem, além de locais utilizados para armazenamento de combustível e estruturas destinadas à manutenção das aeronaves em áreas remotas.
A Justiça autorizou a destruição de duas pistas clandestinas, localizadas em Tefé e Presidente Figueiredo, apontadas como pontos estratégicos para a logística da organização.

Mais de R$ 35 milhões movimentados
As investigações também apontaram que pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados movimentaram mais de R$ 35 milhões.
Os valores teriam circulado por meio de empresas de fachada, transferências fracionadas, depósitos realizados por terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas interpostas.
Segundo os investigadores, parte dos recursos teria sido utilizada na compra de imóveis, veículos de alto padrão, embarcações e empreendimentos comerciais.
A estrutura financeira teria como objetivo ocultar a origem dos valores e conferir aparência lícita ao dinheiro obtido por meio do tráfico de drogas.
Operação atinge estrutura financeira do grupo
Além das prisões, as medidas de bloqueio e sequestro de bens foram adotadas para tentar impedir que a organização continue utilizando os recursos obtidos com as atividades criminosas.
O bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões e o sequestro de veículos e empreendimentos atingem diretamente o patrimônio atribuído aos investigados.
As autoridades também investigam possíveis irregularidades envolvendo aeronaves utilizadas pelo grupo, incluindo indícios de adulteração da identificação de uma aeronave para dificultar a fiscalização.

Investigados podem responder por vários crimes
Os investigados poderão responder, conforme a participação individual, por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais, além de outros crimes que possam ser identificados no decorrer das investigações.
A operação segue com a análise dos materiais apreendidos. A expectativa é de que novas informações possam levar à identificação de outros integrantes e de outras estruturas utilizadas pela organização criminosa.