O Tribunal do Júri condenou Edson Fernando Cardoso a 27 anos e oito meses de prisão pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver da amazonense Clísia Lima. A sentença foi proferida após os jurados reconhecerem a responsabilidade do acusado pelos dois crimes.
A Procuradoria Especial da Mulher atuou como assistente de acusação e representou a família da vítima durante o processo. O órgão passou a acompanhar o caso após ser procurado por Carla Lima, irmã de Clísia, que buscava informações sobre o desaparecimento da vítima.
Clísia morava em Extrema, no sul de Minas Gerais, com o então namorado. Ela deixou de manter contato com familiares e amigas no dia 29 de outubro de 2024. Entre os dias 29 e 30 daquele mês, o corpo da vítima foi encontrado por um morador na Represa de Piracaia, na divisa entre os municípios de Piracaia e Joanópolis, no interior de São Paulo.
Natural do Amazonas, Clísia residia anteriormente em Manaus, onde conheceu Edson durante uma viagem de trabalho dele à capital amazonense. O relacionamento teve início cerca de dois a três anos antes do crime. Depois, o casal viveu em Fortaleza e, posteriormente, mudou-se para Extrema, onde moravam familiares do acusado.
De acordo com informações apresentadas durante o processo, familiares e amigas relataram que Clísia passou a apresentar mudanças de comportamento enquanto vivia em Fortaleza. Pessoas próximas também informaram que Edson demonstrava atitudes controladoras e agressivas, fiscalizando o telefone, as saídas e os contatos da companheira.
Já em Extrema, segundo relatos de amigas, a vítima teria sofrido episódios de violência física e psicológica. Em agosto de 2024, Clísia registrou um boletim de ocorrência por agressão física contra o namorado, mas posteriormente desistiu de dar continuidade à denúncia após reatar o relacionamento.
Após a prisão do acusado, o Ministério Público de Piracaia apresentou denúncia por feminicídio, com a qualificadora de uso de meio que dificultou a defesa da vítima, além do crime de ocultação de cadáver.
Durante o julgamento, Edson Fernando Cardoso admitiu ter ocultado o corpo de Clísia, mas negou ter praticado o homicídio. Ao final da sessão, os jurados acolheram a denúncia apresentada pelo Ministério Público e o condenaram pelos dois crimes.

