Uma noite que deveria marcar o início da viagem rumo a Parintins, para a tradicional temporada bovina, acabou em confusão, frustração e prejuízo para dezenas de passageiros no Porto São Raimundo, zona oeste de Manaus, nesta quarta-feira (29).
Desde as primeiras horas do dia, pessoas se concentravam no local para garantir lugar na embarcação “Gênesis”, que havia sido fretada por uma caravana particular. Muitos passageiros relataram que chegaram ainda pela manhã, por volta das 8h, para armar redes e assegurar espaço no barco, cuja saída estava prevista para as 18h.

No entanto, ao longo da tarde e início da noite, a situação saiu do controle. Passageiros começaram a perceber que a embarcação estava além da capacidade, com redes amontoadas e dificuldade de circulação. Ainda assim, segundo relatos, o responsável pela caravana continuou permitindo a entrada de mais pessoas.
A suspeita é de venda de passagens acima do limite permitido, o que levou à intervenção da Marinha do Brasil e da Polícia Militar, acionadas para conter a situação e garantir a segurança no local.

Durante a fiscalização, todos os passageiros foram orientados a deixar a embarcação para uma recontagem, o que gerou revolta. Parte das pessoas que havia embarcado anteriormente acabou impedida de retornar, ficando do lado de fora mesmo após apresentar comprovantes de pagamento e pulseiras de acesso.
“Mandaram a gente descer para recontagem, mas quando chegou na hora de voltar, disseram que não podia mais entrar. Ficamos no prejuízo”, relatou uma passageira.
De acordo com Pedro, representante da empresa proprietária da embarcação, o problema não está relacionado à estrutura do barco, mas sim à conduta do organizador da viagem.
“A embarcação foi alugada dentro de um contrato que estabelece limite de passageiros, itens de segurança e tripulação. Tudo está regular. O que houve foi que o locatário vendeu passagens além da capacidade permitida”, explicou.

Ele ainda destacou que a embarcação não poderia sair em situação irregular, já que passaria por fiscalizações ao longo do trajeto, inclusive em Itacoatiara e no destino final.
Com a superlotação confirmada, dezenas de passageiros ficaram sem embarcar. Muitos relataram que não receberam qualquer orientação clara sobre reembolso ou alternativas de transporte. A informação repassada informalmente seria de que o ressarcimento ocorreria apenas no dia seguinte.
“Estamos aqui desde cedo, gastamos com transporte, trouxemos nossas coisas, e agora dizem que só vão resolver amanhã. E quem precisa viajar hoje?”, questionou um dos prejudicados.
Outro ponto crítico foi a situação das bagagens. Parte dos passageiros deixou pertences dentro da embarcação antes da recontagem e, posteriormente, enfrentou dificuldades para recuperá-los. Houve temor de que o barco partisse com objetos pessoais ainda a bordo.

A tensão aumentou com relatos de que alguns passageiros estariam sendo pressionados a retirar rapidamente seus pertences para liberar a saída da embarcação. A intervenção de agentes da Capitania dos Portos foi solicitada para mediar o impasse e garantir os direitos dos consumidores.
Enquanto isso, dentro da embarcação, os passageiros que conseguiram permanecer aguardavam a liberação para a viagem, também demonstrando insatisfação com a demora.
Do lado de fora, o cenário era de frustração. Muitas pessoas começaram a deixar o local, carregando malas e redes, sem saber se conseguiriam seguir viagem. Algumas afirmaram que tentariam outras alternativas, como lanchas, mesmo tendo que arcar com novos custos.
A viagem tinha como destino Parintins, onde ocorre um dos maiores eventos culturais do Amazonas, o Festival Folclórico, que atrai milhares de turistas todos os anos.
Até o momento, o organizador da caravana, apontado pelos passageiros como responsável pela venda das passagens, não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido.
Fotos: Elias Fonseca / Imediato