Manaus-AM| A Polícia Federal do Amazonas indiciou o senador Omar Aziz por lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa para desviar recursos do Instituto Novos Caminhos (INC), organização social contratada pelo governo para gerenciar unidades de saúde.
Os desvios, que chegam a mais de R$200 milhões, segundo as investigações, começaram quando Aziz era governador do estado, entre 2010 e 2014. As informações foram divulgadas na UOL Notícias.
Em nota, a assessoria de Aziz diz que a decisão “a decisão da autoridade policial é absolutamente equivocada, embasada em premissas que não condizem com a realidade e não se sustentam juridicamente”. A defesa de Aziz conseguiu suspender a investigação e alega que o caso deveria ser analisado pela Quarta Vara Federal do Amazonas, e não pela Segunda.
Líder do PSD e um dos principais articuladores responsáveis pela eleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) à presidência do Senado, Aziz atualmente preside a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, onde são discutidas propostas para as principais reformas deste ano, como a da previdência e a tributária.
Aziz autorizou a contratação do Instituto Novos Caminhos para fazer a gestão de hospitais do Amazonas. Os contratos, segundo o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM), era superfaturados e os valores repassados para políticos do estado. O senador informou ainda que não autorizou nenhum contrato e não pagou “um centavo sequer” ao instituto.
Prisão de parentes
Em julho deste ano, a PF realizou a Operação Vertex, que prendeu três irmãos de Omar, além da esposa dele, Nejmi Aziz. Na época, Omar não foi preso por ter foro privilegiado. Atualmente, todos respondem às acusações em liberdade.
Ao todo, na época, foram cumpridos oito mandados de prisão temporária em Manaus, além de 15 mandados de busca e apreensão, 18 mandados de bloqueios de contas de pessoas físicas e jurídicas (de aproximadamente 92,5 milhões de reais), e sete mandados de sequestro de bens móveis e imóveis.
Segundo a PF, entre as vantagens indevidas de que se tem suspeita, teria acontecido entregas de dinheiro em espécie ou por meio em negócios simulados ou superfaturados, a fim de ocultar a entrega de dinheiro dissimulado por meio de contratos de aluguel e de compra e venda.
Desdobramento da Maus Caminhos
A investigação da operação Vertex está diretamente relacionada com as outras fases da Maus Caminhos, que são: ‘Custo Político’, ‘Estado de Emergência’ e a operação ‘Cashback’.
Na operação Custo político se apurou a prática de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e pertinência a organização criminosa. Todos praticados por cinco ex-secretários de estado, bem como diversos servidores públicos e o núcleo da organização criminosa desbaratada na primeira fase da operação.
Na operação ‘Estado de Emergência’ completava-se o núcleo político do poder executivo estadual, tendo alcançado o ex-governador, José Melo, que chegou a ser preso.
A operação Cashback investiu nas investigações do envolvimento de outras empresas em conluio, com a suspeita de que foram efetuados pagamentos embasados em notas fiscais falsas, sem a correspondente prestação de serviço, além de pagamentos por serviços superfaturados.
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