Manaus – O número de famílias afetadas pela estiagem no Amazonas chegou a 160.240, segundo boletim divulgado pela Defesa Civil do Estado nesta sexta-feira (6). Ao todo, 47 municípios permanecem em situação de emergência e outros 15 estão em estado de alerta. Além dos impactos da seca, a fumaça provocada por incêndios florestais agravou a qualidade do ar em diferentes regiões do estado, incluindo Manaus.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram que Parintins, Itacoatiara e Urucurituba registraram índices classificados como péssimos neste sábado (7).
O levantamento, realizado às 14h14, indicou concentração de partículas finas de poluição (MP2,5) de 138,8 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em Parintins, 141,3 µg/m³ na Vila Amazônia, 175,2 µg/m³ em Itacoatiara e 152,1 µg/m³ em Urucurituba.
Outros municípios também apresentaram condições preocupantes. Iranduba registrou 99,9 µg/m³, Autazes 99,3 µg/m³, Itapiranga 95 µg/m³, Nova Olinda do Norte 90,9 µg/m³ e Careiro da Várzea 77,5 µg/m³, todos com qualidade do ar classificada como muito ruim.
Em Manaus, a situação também piorou. O bairro Morro da Liberdade apresentou o maior índice da capital, com 71,1 µg/m³, classificação considerada ruim. Dos 14 sensores de monitoramento instalados na cidade, 13 indicavam qualidade do ar ruim. Apenas o Parque Dez de Novembro registrou nível moderado, com 47,1 µg/m³.
Na sexta-feira (6), a Defesa Civil já havia emitido alertas relacionados à poluição provocada por incêndios florestais. Parintins estava em nível severo, enquanto outros municípios receberam avisos de níveis alto e moderado.
Previsão do tempo
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo deve permanecer predominantemente seco nas regiões Norte e Sul do Amazonas até o dia 11 de novembro.
As chuvas mais significativas estão previstas para as regiões Central e Leste, com volumes entre 20 e 60 milímetros, podendo superar esses valores em pontos isolados. A previsão contempla áreas das calhas do Alto e Médio Solimões, Médio Amazonas e Baixo Amazonas.
As temperaturas máximas também devem continuar elevadas entre os dias 7 e 11 de novembro. Nas regiões Leste e Nordeste, os termômetros podem registrar entre 34°C e 38°C, com possibilidade de ultrapassar os 40°C em algumas localidades.
Nas regiões Central e Sul, as máximas devem variar entre 32°C e 36°C. Já no Oeste, Sudoeste e Noroeste, a previsão indica temperaturas entre 28°C e 32°C, devido à maior presença de nuvens e à frequência de chuvas.
Operações de combate às queimadas
Segundo o Governo do Amazonas, aproximadamente 1,5 mil servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, atuam na prevenção e no combate aos incêndios em todo o estado.
A operação conta com 18 aeronaves, sendo oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros. Desse total, 16 são do Governo Federal e duas pertencem ao Governo do Amazonas.
O estado também contratou mais 153 brigadistas florestais por meio do programa Floresta em Pé. As equipes trabalham na prevenção, no monitoramento e no combate ao fogo.
Na fiscalização ambiental, a Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde desenvolve ações em outras 33 cidades. Já a Operação Alerta Fogo utiliza drones e viaturas equipadas com internet via Starlink para fiscalizar o uso ilegal do fogo.
Entre 1º de junho e 5 de novembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) registrou 4.014 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 24.578 focos de incêndio no estado.
Governo envia ajuda às famílias afetadas
Para atender às populações atingidas pela estiagem, o Governo do Amazonas informou que já encaminhou 96 toneladas de alimentos, 3,4 mil kits de limpeza, 3.060 caixas d’água de 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água para 15 municípios.
As entregas fazem parte da Operação Estiagem 2026 e devem continuar conforme o monitoramento das condições dos rios e as necessidades das cidades.
O governo estadual também mantém a proibição do uso do fogo por 120 dias em todo o Amazonas, com exceção das situações previstas em lei.
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