A morte de Iranilde, de 40 anos, conhecida como Wanda Castro, durante o atendimento para o nascimento do filho, gerou revolta entre familiares e motivou um pedido de Justiça em frente à Maternidade Dona Nazira Daou, no bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus. A família denuncia uma suposta negligência médica e cobra esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte da mulher, que deixou um bebê recém-nascido e outros familiares.
Segundo os parentes, Wanda deu entrada na unidade no sábado, dia 10, já em trabalho de parto. De acordo com o relato da irmã, Graça, a gestante tinha indicação para realizar uma cesárea, mas teria sido submetida inicialmente a tentativas de parto normal, apesar dos alertas feitos pela família à equipe responsável pelo atendimento.
A irmã afirma que Wanda chegou a nove centímetros de dilatação por volta das 9h de domingo, dia 11, mas a cirurgia só teria sido realizada por volta das 15h, quando, conforme a família, a equipe percebeu que ela não tinha condições de dar à luz por parto normal.
“Desde as 9h da manhã de domingo, que ela chegou a nove centímetros, eles só foram fazer a cirurgia da minha irmã às 15h”, relatou Graça, ao afirmar que os familiares tentaram alertar os profissionais sobre a situação.
A família sustenta que houve demora no atendimento e falta de atenção às solicitações feitas durante o trabalho de parto. As circunstâncias relatadas, entretanto, ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades e pela administração da maternidade.
Além das reclamações sobre o atendimento, os parentes questionam as informações recebidas sobre as condições de Wanda durante a transferência para outra maternidade.
O filho da mulher afirmou que a família recebeu versões contraditórias sobre o momento em que ela deixou a unidade de saúde e sobre sua chegada ao outro hospital. Segundo ele, enquanto a primeira maternidade teria informado que Wanda saiu viva, na outra unidade os familiares teriam recebido a informação de que ela não chegou com vida.
“É muita contradição. A gente só quer entender o que aconteceu de verdade”, declarou o filho, que também relatou dificuldades para conseguir respostas da direção da maternidade.
De acordo com os familiares, a documentação apresentada inicialmente indicava morte por causa desconhecida, sem detalhar o que teria provocado o óbito. A família afirma que busca acesso a informações mais precisas sobre o caso.
Os parentes também contestam informações sobre um possível afastamento dos profissionais envolvidos no atendimento. Segundo o filho, a família foi informada de que os servidores teriam sido afastados, mas, ao conversar com trabalhadores da unidade, não conseguiu confirmar essa informação.
O marido de Wanda afirmou que a gravidez era considerada de risco e que havia um encaminhamento para a realização de cesárea. Ele declarou que, durante o atendimento, tentou conversar com a equipe médica e chegou a pedir que a esposa fosse transferida para uma clínica particular, mas, segundo seu relato, não conseguiu realizar a transferência.
“Eu perdi a minha rainha, tudo na minha vida”, disse o homem, emocionado ao falar sobre a morte da esposa e os planos que o casal tinha para a chegada do bebê.
Ele também afirmou que a família está reunindo documentos e pretende contratar um perito para analisar o atendimento prestado à mulher. Segundo o marido, a avaliação técnica deverá ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte e embasar as medidas judiciais que a família pretende adotar.
O companheiro ainda relatou a dificuldade de enfrentar o luto enquanto precisa reorganizar a rotina para cuidar do filho recém-nascido.
Graça também destacou que Wanda era muito querida pelos familiares e amigos e estava vivendo uma fase importante da vida profissional. Segundo ela, a irmã trabalhava na área da beleza, profissão pela qual tinha grande carinho.
A familiar afirmou que presenciou o sofrimento de Wanda durante o atendimento e criticou as condições que, segundo seu relato, foram oferecidas à gestante durante o trabalho de parto.
A família sustenta que a morte poderia estar relacionada a falhas no atendimento, mas a causa do óbito e a eventual responsabilidade dos profissionais ainda precisam ser apuradas.
Durante a manifestação em frente à maternidade, os familiares seguraram cartazes pedindo Justiça e cobrando providências para evitar que outras mulheres passem por situações semelhantes.
Os parentes afirmam que não querem apenas esclarecer o que aconteceu com Wanda, mas também obter respostas sobre o atendimento prestado a outras pacientes que, segundo eles, teriam enfrentado problemas na unidade.
A morte da mulher deixou o marido, o filho mais velho e outros familiares em busca de explicações, além de um bebê que acabou de nascer e agora será criado sem a presença da mãe.
O Imediato Online deixa o espaço aberto para que a direção da maternidade, a administração responsável pela unidade e os profissionais envolvidos apresentem suas versões sobre o caso e esclareçam as denúncias feitas pela família.
A família afirma que pretende buscar Justiça e aguarda respostas sobre as circunstâncias da morte de Wanda Castro.