Quatro pessoas foram presas em flagrante por suspeita de crime ambiental durante uma operação da Polícia Civil de Roraima (PCRR), realizada nesta quarta-feira (14), em Boa Vista. A ação, conduzida pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH), tinha como objetivo localizar a arma supostamente utilizada no assassinato de José Williams Fidelis Farias, de 41 anos, conhecido como Keka ou Queco. Durante as diligências, os policiais encontraram uma aeronave parcialmente desmontada, recipientes com líquidos e combustíveis, além de equipamentos e peças com características aeronáuticas.
As apreensões ocorreram em dois imóveis, localizados nos bairros Alvorada e Murilo Teixeira Cidade, no conjunto Satélite City. Ao todo, foram contabilizados 42 recipientes com capacidade nominal de 50 litros cada, o equivalente a 2,1 mil litros de capacidade total. Esse número, porém, não representa necessariamente o volume efetivo de combustível apreendido, já que alguns recipientes estavam vazios ou parcialmente preenchidos.
De acordo com o delegado Thiago Alexandre, responsável pelas diligências, as equipes buscavam uma arma de fogo que poderia ter sido utilizada no homicídio de José Williams. Durante as buscas, os policiais localizaram materiais cuja natureza e procedência ainda serão apuradas por meio de perícia.

No primeiro endereço, no bairro Alvorada, foram presos dois suspeitos: L.P., de 27 anos, e sua mãe, M.L.P.P., de 65 anos. No local, os policiais apreenderam 18 bombonas plásticas contendo líquido azul, duas bombonas abertas com uma substância identificada preliminarmente pela equipe como AVGAS, combustível utilizado na aviação, e outros seis recipientes vazios. A composição dos líquidos ainda deverá ser confirmada por exames periciais.
Os agentes também encontraram dois geradores de energia, um motor de seis cilindros opostos com características aeronáuticas, dois pneus, uma câmara de ar, um cone de hélice e dois magnetos com chicotes de ignição. Uma caixa identificada como Dry Air Pump também foi recolhida para verificação.
Entre os demais materiais apreendidos estavam cinco balanças de diferentes tipos, dois cartuchos de munição calibre .40 e um kit de internet via satélite, composto por antena, suporte, cabo e roteador. Mangueiras, garrafas de água mineral, bebidas alcoólicas, refrigerantes, botas e meias também foram recolhidos.
Já no segundo imóvel, situado no conjunto Satélite City, foram presos F.J.A.N., de 34 anos, e J.J.G.A., de 33 anos. No endereço, a equipe encontrou 24 carotes de combustível, uma aeronave Cessna parcialmente desmontada, descrita nos registros como modelo 182, e um equipamento identificado pelo delegado como Polymac, descrito como uma esteira resumidora utilizada em atividades de garimpo. A identificação exata da aeronave ainda deverá ser confirmada.
O homicídio que motivou as diligências aconteceu na madrugada de sábado (10), quando José Williams Fidelis Farias foi encontrado morto nas proximidades do Polo São Silvestre, em uma área rural de Boa Vista. O local fica a aproximadamente 2,5 quilômetros da estrada de acesso à RR-205, rodovia que liga a capital ao município de Alto Alegre.
Segundo as informações da investigação, a vítima apresentava sete perfurações provocadas por disparos de arma de fogo nas regiões da cabeça, do tórax e dos braços. Uma motocicleta também foi encontrada ao lado do corpo.
A Polícia Militar isolou a área até a chegada da equipe do Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida (ICPDA), responsável pelos procedimentos periciais e pela coleta de vestígios. Posteriormente, o corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde passou por exame necroscópico.
A operação contou com apoio operacional da Força Nacional, que auxiliou na catalogação dos materiais apreendidos, e do Exército Brasileiro, responsável pela remoção e pelo transporte dos itens até a unidade policial. Equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também acompanharam a ação para adotar as providências administrativas relacionadas às possíveis infrações ambientais.
Os quatro presos foram conduzidos à sede da DGH, onde foi lavrado um Auto de Prisão em Flagrante (APF) com base no artigo 56 da Lei nº 9.605/1998, que prevê punições para determinadas condutas envolvendo substâncias tóxicas, perigosas ou nocivas à saúde humana ou ao meio ambiente em desacordo com as exigências legais.
Os suspeitos estavam acompanhados de advogado. Como o crime permite fiança, o delegado estabeleceu o valor de R$ 10 mil para cada autuado.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer o homicídio, localizar a arma supostamente utilizada no crime, identificar a origem dos materiais apreendidos e verificar se os itens têm relação com outras atividades ilícitas. A possível participação de outras pessoas também será investigada.