Ministros do governo federal identificaram dezenas de focos de incêndio em áreas de floresta preservada durante um sobrevoo na região de Autazes, no Amazonas. A situação foi considerada mais grave do que o esperado, principalmente pela presença de queimadas em pontos isolados no interior da mata.
A vistoria foi realizada pelos ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional. Após o sobrevoo, os representantes do governo federal participaram de uma coletiva de imprensa para detalhar as ações de combate aos incêndios florestais.
Segundo Capobianco, além das queimadas que começam em pastagens e avançam para a vegetação próxima, foram encontrados diversos focos em áreas preservadas. Para o ministro, a distribuição desses pontos levanta suspeitas de incêndios provocados de forma intencional.
O ministro afirmou que é necessário reforçar a fiscalização e pediu a participação da Polícia Militar nas ações, além do trabalho já realizado pelo Corpo de Bombeiros. Segundo ele, a identificação e a punição dos responsáveis são fundamentais para evitar novos incêndios.
Operação reúne 11 aeronaves
O governo federal anunciou a mobilização de 11 aeronaves para reforçar o combate ao fogo. Parte dos equipamentos já estava na região, enquanto dois aviões KC-390 foram destinados à operação, com previsão de início das atividades no dia seguinte à coletiva.
Também houve reforço no número de brigadistas e na atuação de especialistas responsáveis por organizar os voos, orientar as equipes e definir as estratégias de combate aos incêndios.
De acordo com Capobianco, as ações já haviam começado, mas as condições meteorológicas dificultaram a realização de voos ao longo do dia. A operação será conduzida em parceria com o governo do Amazonas, as prefeituras e outros órgãos públicos.
O ministro afirmou que as equipes permanecerão no estado até que os focos que provocam danos à população sejam controlados.
Governo anuncia ações de assistência à população
Waldez Góes informou que o governo federal também está organizando medidas de assistência às pessoas afetadas pelos incêndios. Além do combate direto ao fogo, a Defesa Civil Nacional trabalha no planejamento de ações de ajuda humanitária, que poderão incluir assistência médica e outros recursos, conforme as necessidades identificadas pelos municípios.
Segundo o ministro, o reconhecimento de situações de emergência e a liberação de recursos dependem da apresentação de planos de trabalho pelos governos locais.
Góes também afirmou que o decreto de emergência por incêndios florestais publicado pelo governo do Amazonas foi reconhecido pelo governo federal no mesmo dia. As ações envolvem os governos federal e estadual e os municípios atingidos.
Durante a coletiva, o ministro destacou ainda a importância de diferenciar os decretos relacionados à estiagem daqueles referentes aos incêndios florestais. Embora os fenômenos estejam relacionados, eles exigem respostas específicas.
Ministros destacam redução do desmatamento
Capobianco afirmou que, desde 2023, as ações de prevenção e controle do desmatamento e das queimadas contribuíram para a redução dos índices na Amazônia. Segundo os dados apresentados pelo ministro, o desmatamento caiu 50% na Amazônia Legal e 75,8% no Amazonas.
Ele também informou que R$ 34,7 milhões foram destinados ao fortalecimento da estrutura de combate a incêndios do Corpo de Bombeiros, incluindo a ampliação da capacidade operacional.
O ministro criticou declarações que, segundo ele, não reconhecem a atuação do governo federal no enfrentamento às queimadas e afirmou que as equipes continuarão trabalhando em conjunto com o governo estadual.
Estiagem e mudanças climáticas agravam cenário
Durante a coletiva, Capobianco relacionou a intensificação dos incêndios às condições climáticas extremas. O ministro citou os episódios de El Niño registrados em anos recentes, que contribuíram para períodos de estiagem severa na região Norte.
Segundo ele, as mudanças climáticas aumentam a frequência de eventos extremos e tornam a vegetação mais vulnerável à propagação do fogo.
O ministro também reforçou a importância da prevenção e da conscientização da população, especialmente para evitar o uso de fogo em períodos de seca. Queimadas iniciadas em áreas de pastagem podem avançar para a floresta e provocar danos à vegetação.
Ao final da coletiva, os representantes dos governos federal e estadual defenderam a integração das equipes para conter os incêndios e reduzir os impactos sobre a floresta e a população de Manaus.