Caso Chibatão: Viúva de Passarão contrata escritório que defendeu João de Deus, acusado de estupro, e atuou em casos de lavagem de dinheiro

O processo, que precisou ser transferido para a Justiça de São Paulo, contou com a movimentação que não passou despercebida
Redação Imediato Online
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Erisvanha Ramos de Souza, viúva do empresário Passarão, agora averiguada em inquérito que tem como assunto “Crimes de Lavagem ou Ocultação de Bens, Direitos ou Valores”, aparece no processo ao lado do criminalista Renato Marques Martins, sócio do escritório Toron Advogados.

E não é apenas a contratação de um advogado criminalista que chama atenção. É o perfil dos casos que marcam a trajetória profissional do advogado escolhido.

Seu nome aparece em defesas relacionadas a algumas das acusações mais graves previstas no Direito Penal: crimes sexuais, homicídio qualificado, corrupção e lavagem de dinheiro.

Renato integrou a equipe responsável pela defesa de João de Deus, preso em 2018 e posteriormente condenado em diferentes ações por crimes sexuais. Documentos oficiais do STJ registram sua atuação em habeas corpus em favor do médium em processo envolvendo acusações de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.

O criminalista também atuou na defesa de Jenner Santiago Pereira, condenado pelo Tribunal do Júri a mais de 21 anos de prisão pelo homicídio qualificado da professora Izabel Barbosa Pereira. O crime teve reconhecidas pelo júri qualificadoras como paga ou promessa de recompensa, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Na Operação Lama Asfáltica, Renato aparece ao lado de Alberto Zacharias Toron na defesa de João Alberto Krampe Amorim dos Santos e Elza Cristina Araújo dos Santos. Em um dos processos, João foi denunciado por lavagem de dinheiro e Elza por corrupção passiva e lavagem. A acusação discutia sete operações que somavam aproximadamente R$ 5,46 milhões, supostamente dissimuladas por meio de contratos de locação de máquinas.

Não se trata, portanto, do perfil de um advogado procurado apenas para questões jurídicas corriqueiras. Sua atuação pública inclui processos criminais de altíssima gravidade, enorme repercussão e elevado risco para seus clientes.

E é justamente nesse cenário que surge Erisvanha Ramos de Souza. Conforme consulta processual do TJSP, é um inquérito policial e traz expressamente como assuntos “Crimes de ‘Lavagem’ ou Ocultação de Bens, Direitos ou Valores.”

A advogada Erisvanha Ramos não pode ser considerada culpada por associação, sua condição atual é de averiguada.

A escolha, porém, chama atenção. Justamente quando a investigação chega a São Paulo tendo a lavagem de dinheiro entre as suspeitas apuradas, Erisvanha recorreu a um criminalista com histórico de atuação em casos de alta complexidade. Ao longo da carreira, o advogado defendeu investigados ou réus em processos que envolvem acusações de crimes sexuais, homicídio qualificado, corrupção e lavagem de dinheiro.

A escolha não permite antecipar o resultado da investigação, mas deixa claro o nível de preocupação jurídica atribuído ao caso e o tipo de defesa que Erisvanha decidiu escolher.

O Caso Chibatão entra, assim, em uma nova fase e a movimentação da própria defesa mostra que, em São Paulo, o assunto está longe de ser tratado como algo menor.

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