Uma família teve a casa invadida pela água, perdeu móveis e outros pertences e ficou sem condições de dormir no imóvel após a forte chuva registrada entre quinta-feira (24) e sexta-feira (25), na Rua Cravitas, no Conjunto Nova Floresta, bairro Tancredo Neves, na zona Leste de Manaus.
Segundo os moradores, o problema teria sido agravado por uma obra que está sendo realizada na região. A comunidade afirma que o serviço, que prevê a construção de uma área de lazer com academia ao ar livre, ainda não foi concluído e teria alterado o escoamento da água.
Durante a chuva, a água se acumulou na área da obra e avançou em direção às residências. Uma das casas mais atingidas foi a da moradora Mariana, que vive no local há mais de 30 anos.
“Não tinha como salvar nada, nada, nada mesmo”, relatou a moradora ao mostrar o interior da residência.
A água atingiu praticamente todos os cômodos. Geladeira, camas, guarda-roupas, roupas, alimentos e outros objetos ficaram danificados. Em um dos quartos, parte da parede cedeu, enquanto rachaduras foram identificadas no imóvel.
O cômodo pertencia à filha de Mariana. Segundo ela, diversos objetos foram levados pela água para a área externa da residência.
“Eu tenho um sentimento de tristeza, de tristeza mesmo, de ver minha casa desse jeito. Tentando fazer minhas coisas, tudo ajeitadinho, tudo arrumadinho e agora chegar assim e olhar a casa desse jeito, é uma tristeza mesmo”, desabafou.
A família é formada por sete pessoas, incluindo cinco crianças. Após o alagamento, os moradores precisaram procurar abrigo na casa de familiares, já que o imóvel ficou sem condições de ser utilizado.
O alagamento também provocou a morte de animais que estavam na residência. Mariana contou que alguns animais de estimação morreram afogados.
Um cachorro que estava dentro da casa conseguiu sobreviver. Segundo a moradora, o animal conseguiu subir em um sofá e permaneceu no local até a chegada da família.
A marca da água ainda era visível dentro do imóvel, indicando a altura que a enxurrada alcançou.
Os moradores afirmam que aguardavam há anos por melhorias na região, mas questionam a forma como o serviço está sendo executado.
Uma representante da comunidade relatou que a área já apresentava problemas e que os moradores chegaram a comemorar o início da obra. Segundo ela, entretanto, a chuva revelou problemas no sistema de drenagem.
“Primeiro a tragédia, depois a solução”, afirmou a moradora, ao criticar a execução do serviço.
Ela relatou ainda que, durante a chuva, moradores precisaram utilizar uma máquina para abrir um caminho e permitir que a água escoasse.
De acordo com a comunidade, a obra está em andamento há aproximadamente três meses.
Os moradores também afirmam que procuraram a Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) em busca de atendimento. Segundo eles, a Defesa Civil teria fornecido um protocolo, mas uma vistoria ainda não havia sido realizada até o momento da reportagem.
A enxurrada também provocou danos em outra residência próxima. Uma moradora identificada como Cátia relatou que teve o muro atingido após parte da estrutura da casa vizinha ceder.
Os prejuízos, segundo os moradores, ainda não foram calculados.
Outra família da região também relatou perdas. Graciane contou que a casa da avó, de 83 anos, foi atingida pela água. A idosa mora com um filho que possui deficiência física.
Segundo Graciane, camas, geladeira, guarda-roupas, roupas, fogão e outros objetos foram atingidos.
Dois cachorros da idosa chegaram a ficar praticamente submersos e precisaram ser retirados da residência.
“Foi horrível. A gente logo pensou: meu Deus, vai acontecer alguma coisa, porque não tem drenagem, não tem como a água escoar”, contou.
Famílias pedem ajuda
Diante dos prejuízos, os moradores estão pedindo ajuda da comunidade com móveis, roupas, alimentos e outros itens necessários para as famílias atingidas.
Mariana disponibilizou o telefone (92) 9523-6843 para quem puder ajudar.
Graciane também disponibilizou o número (92) 99406-4247 para pessoas interessadas em prestar auxílio.
Os moradores afirmam que não são contra as melhorias na comunidade, mas cobram que a obra seja concluída com segurança e que as famílias prejudicadas recebam assistência.
O Imediato Online deixa espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Manaus, da Defesa Civil, da Seminf e dos responsáveis pela obra sobre as denúncias apresentadas pelos moradores, os danos registrados nas residências e as providências que serão adotadas.
A comunidade aguarda uma vistoria nos imóveis atingidos e medidas para garantir a segurança das famílias, especialmente diante da possibilidade de novas chuvas.