A violência doméstica contra a mulher ganhou mais um episódio brutal em Goiás: uma mulher teria sido mantida amordaçada e acorrentada durante cinco dias pelo ex-companheiro após ir até o encontro dele para tratar de questões relacionadas à alimentação dos filhos.Uma mãe dirigiu-se ao encontro de seu ex-companheiro com o intuito de debater algo mundano e vital: os recursos alimentícios da prole. Em vez de diálogo, a jovem encontrou um pesadelo premeditado, tornando-se prisioneira em um local supostamente arquitetado para aniquilar qualquer liberdade.
No antológico sucesso “Every Breath You Take” (1983), a banda The Police embalou romances mundiais com uma melodia suave, ocultando uma letra assustadora sobre controle, perseguição e posse doentia. O clássico oitentista serve como analogia perfeita para a recente barbárie descortinada no estado de Goiás
Durante cinco excruciantes jornadas, a mulher permaneceu amordaçada, além de acorrentada. O indivíduo investigado por elaborar esse cárcere privado teria, segundo as autoridades, um histórico sombrio de alegada utilização de soda cáustica na caixa d’água da residência durante a época em que coabitavam.
Diante dessa atrocidade, a máquina pública nos brinda com sua ineficácia habitual. Ostentamos legislações belíssimas no papel, perfeitamente encadernadas, mas que falham miseravelmente em prevenir que cidadãs terminem tratadas feito animais em masmorras medievais. É fascinante — com pitadas robustas de ironia trágica — notar que o aparato estatal só costuma aparecer para recolher os cacos, raramente atuando na prevenção efetiva da violência doméstica.
Após ser resgatada dessa clausura infame, a sobrevivente não obteve a paz merecida. Relatos apontam que a ofendida vem enfrentando severas crises de ansiedade, oriundas não apenas dos traumas físicos da privação extrema, mas do execrável tribunal virtual. Parte da sociedade, demonstrando espantosa falta de empatia, decidiu criticá-la através das redes sociais. Tal postura soa como um golpe cruel contra a base familiar. Aquela genitora estava ali, arriscando o próprio bem-estar, lutando pelo sustento dos pequenos.
Validar tamanho sofrimento exige repudiar veementemente o julgamento digital sobre quem já suportou horrores inenarráveis no mundo real. Enquanto o direito penal cuida de encarcerar o suposto agressor, a justiça cível jamais deve ser escanteada. A vítima detém ferramentas poderosas para buscar reparação integral.
O instituto da responsabilidade civil prevê indenizações substanciais por danos morais, estéticos e materiais. Esse escopo abrange custear totalmente tratamentos psiquiátricos, terapias especializadas, além de eventuais lucros cessantes pelo período onde houve impedimento laboral. Nosso ordenamento jurídico confere armas afiadas àqueles capazes de manejá-las. Exigir compensação pecuniária não apaga o terror vivenciado; contudo, garante dignidade financeira necessária à reconstrução da própria história longe do abismo financeiro. Vivemos numa época cuja barbárie ganha requintes de planejamento, e o apontamento alheio sangra tanto quanto grilhões de ferro.
Até quando permitiremos que o sistema falhe e, logo em seguida, a população culpabilize quem retornou do inferno? Se você deseja entender melhor como blindar seu patrimônio emocional frente a abusos e exigir seus direitos indenizatórios, não silencie. Como você avalia a proteção às mulheres no nosso país hoje?
A lei existe para proteger; aprenda a usá-la a seu favor