Moradores do bairro Japiim, na Zona Sul de Manaus, enfrentaram uma sexta-feira (4) de transtornos após uma interrupção no fornecimento de energia elétrica que se prolongou por mais de dez horas. O problema atingiu principalmente trechos das ruas José Prestes e Natal, onde equipes trabalhavam na substituição de transformadores.
Segundo os moradores, a comunidade havia sido comunicada de que o fornecimento seria interrompido a partir das 8h e que o serviço deveria ser concluído até as 18h. No entanto, o prazo terminou e diversas residências e estabelecimentos comerciais continuavam sem energia.

A demora provocou preocupação principalmente por causa das altas temperaturas registradas em Manaus. Sem ventiladores e outros equipamentos elétricos, moradores precisaram permanecer do lado de fora de suas casas para tentar amenizar o calor.
Uma das situações mais delicadas foi relatada por uma família que possui crianças autistas. Segundo a moradora, a falta de energia durante todo o dia afetou diretamente a rotina dos filhos.
“Péssimo, porque a gente está aqui desde de manhã, aqui fora. As crianças estão todas desreguladas já”, relatou.
A moradora afirmou ainda que entrou em contato com a empresa responsável pelo serviço e foi informada de que as equipes estavam trabalhando desde as primeiras horas da manhã. Mesmo assim, até o início da noite, o fornecimento ainda não havia sido restabelecido.
Além do desconforto provocado pelo calor, comerciantes da região relataram prejuízos durante o período sem energia. Alguns estabelecimentos precisaram interromper as atividades porque não havia condições de funcionamento.
Moradores também demonstraram preocupação com alimentos armazenados em geladeiras e freezers. Carnes, peixes e outros produtos que dependem de refrigeração ficaram ameaçados pelo longo período sem eletricidade.
Um dos relatos chamou atenção para produtos congelados que chegaram a descongelar durante a interrupção.
“Até o dindim descongelou. Não dá nem para comer nada. Está tudo mole lá”, contou um morador, em meio à situação enfrentada pela comunidade.
Para algumas famílias, o problema também significou uma noite de espera nas calçadas. Sem ventiladores dentro das residências, moradores se reuniram em frente às casas, utilizando leques e tentando encontrar alguma forma de suportar a temperatura.
Os moradores também demonstraram preocupação com crianças e idosos que vivem na região.
Uma moradora relatou que o neto estava com febre e precisou passar o dia sem energia elétrica, enfrentando o calor dentro de casa.
“Foi horrível. Muita quentura, a gente tem que aguentar. Minha criança estava até com febre, meu neto. Passou o dia sem luz, ele com febre, suando, passando mal. Não dá para aguentar esse negócio não”, desabafou.
Outra moradora, de 73 anos, também criticou a demora na conclusão do serviço. Ela afirmou que mora na região e mantém as contas de energia em dia.
“Eu não tenho medo de aparecer. Eu tenho o meu direito. Eu tenho 73 anos e pago minhas contas em dia”, afirmou.
Segundo ela, moradores estavam aguardando uma nova previsão para o retorno da energia, mas, até aquele momento, não havia um horário confirmado.
Durante a reportagem, moradores relataram que alguns trabalhadores envolvidos na manutenção teriam passado mal enquanto realizavam o serviço.
Segundo os relatos, funcionários estariam trabalhando desde aproximadamente 8h da manhã e alguns teriam precisado de atendimento após apresentarem problemas durante a execução dos trabalhos.
Os próprios moradores fizeram questão de destacar que a revolta não era direcionada aos trabalhadores que estavam no local. Para a comunidade, os funcionários estariam apenas cumprindo o serviço determinado e também enfrentavam condições difíceis de trabalho.
“A culpa não é dos funcionários. É do dono”, afirmou um dos moradores.
A comunidade questionou as condições oferecidas aos trabalhadores e pediu que a empresa responsável avalie a estrutura utilizada pelas equipes durante serviços prolongados.

Outro ponto levantado pelos moradores foi a existência de um posto de saúde na região. Segundo eles, a área recebe diariamente pessoas que precisam de atendimento médico, incluindo idosos, pessoas com mobilidade reduzida e pacientes que dependem de transporte por aplicativo.
A falta de energia também gerou preocupação com a rotina dessas pessoas, principalmente em razão do calor intenso.
Moradores dizem compreender a manutenção, mas cobram cumprimento do prazo
Apesar da revolta, os moradores ouvidos pela reportagem afirmaram compreender que a troca dos transformadores era necessária para melhorar o fornecimento de energia na região.
O principal questionamento, segundo eles, foi o descumprimento do horário inicialmente informado.
A comunidade esperava que a energia fosse restabelecida até as 18h, mas o serviço avançou durante a noite.
“Quando se tem um determinado horário estipulado, a comunidade obviamente espera que naquele instante a energia volte. Quando não acontece isso, fica complicado”, destacou a reportagem durante o acompanhamento da situação.

Por volta das 21h41, ainda havia trechos do bairro sem energia elétrica. As equipes permaneciam trabalhando na região, enquanto moradores aguardavam a conclusão do serviço.
A situação afetou não apenas residências, mas também pequenos comércios e famílias que dependiam da energia para atividades básicas.
Com a previsão de mais calor para os próximos dias, os moradores pediram que o fornecimento fosse normalizado o mais rápido possível e que a empresa responsável esclarecesse o motivo do atraso na conclusão do serviço.