Um homem de 37 anos morreu após ser espancado por seguranças e entregadores em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, depois de ser acusado de ter roubado uma bicicleta. A vítima foi identificada como Cláudio Rafael Landeiro. Segundo a família, o veículo pertencia à irmã dele.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela investigação mostram Cláudio saindo de casa com a bicicleta na noite de terça-feira (11). Ele seguia pelas ruas de Copacabana quando parou na Rua Barata Ribeiro, uma das principais vias do bairro.
No local, ele foi abordado por um homem identificado pela polícia como Davi Santos Machado, que trabalharia como segurança de maneira irregular.
Segurança abordou vítima antes das agressões
Segundo a investigação, Davi afirmou que desconfiou de Cláudio depois de perguntar se a bicicleta pertencia a ele. O homem teria respondido que não.
Em outra gravação, Davi aparece acompanhado de outro segurança, identificado como Jorge Luís Ricardo Dias. Segundo a polícia, Jorge retirou a bicicleta de Cláudio à força.
Ao tentar recuperar o veículo, Cláudio passou a ser agredido com pauladas. Ele conseguiu se afastar e correu até uma escadaria de um prédio, onde se sentou.
Na sequência, dois entregadores chegaram ao local. Davi também aparece novamente nas imagens carregando um pedaço de madeira.
Os entregadores passaram a agredir Cláudio, enquanto Davi voltou a golpeá-lo com o pedaço de madeira. De acordo com a investigação, as agressões duraram quase nove minutos.
Vítima ficou agonizando até chegada dos bombeiros
Depois das agressões, os envolvidos deixaram o local e Cláudio permaneceu caído na rua. Segundo a investigação, os bombeiros chegaram aproximadamente 30 minutos depois.
A vítima foi socorrida e encaminhada para uma unidade hospitalar. Cláudio apresentava fraturas, lesões na cabeça e ferimentos em diferentes partes do corpo.
Apesar do atendimento médico, ele não resistiu aos ferimentos e morreu.
Para os investigadores, chama atenção o fato de Cláudio não ter reagido às agressões registradas pelas câmeras. As imagens mostram a vítima mantendo uma postura pacífica durante a abordagem e os ataques.
Segurança teria dado mais de 30 pauladas
Em depoimento à polícia, Davi Santos Machado não teria apresentado uma explicação para a intensidade das agressões. Segundo a investigação, ele desferiu mais de 30 golpes contra Cláudio.
Davi e Jorge Luís Ricardo Dias se entregaram à polícia nesta quinta-feira (20). Os dois aparecem em imagens carregando pedaços de madeira durante a ocorrência.
O delegado Angelo Lages, responsável pela investigação, classificou o episódio como uma sequência de violência e afirmou que os envolvidos deverão responder por homicídio triplamente qualificado.
“Nada justifica esse tipo de conduta. A gente olhando as imagens, toda a equipe ficou barbarizada, estarrecida com o que a gente viu. Todos eles vão responder pelo crime de homicídio triplamente qualificado. Pelo meio cruel, pelo motivo fútil e pela impossibilidade de defesa da vítima”, afirmou o delegado.
Advogado diz que vítima não tentou reagir
O advogado Bryan Rojtenberg, que acompanha o caso, afirmou que Cláudio não apresentou reação durante a abordagem e as agressões.
“Desde o começo da abordagem do Cláudio Rafael até o momento que ele realmente começa ali aquela sessão de tortura, sessão de barbárie, ele não esboçou nenhuma reação. O rapaz não correu, ele não tentou se defender e bater em alguém ou entrar no prédio. O rapaz realmente… Parecia que ele estava assim, não acreditando no que estava acontecendo naquele momento. Ainda que fosse alguma coisa que pudesse ter acontecido realmente, enfim, a justiça não se faz dessa forma. Existem autoridades para fazer justiça”, disse.
Família afirma que bicicleta pertencia à irmã
A família de Cláudio afirma que a acusação de furto foi equivocada. Segundo os parentes, a bicicleta utilizada por ele naquela noite pertencia à irmã.
As imagens mostram o homem saindo de casa com o veículo antes de seguir para Copacabana. A informação sobre a propriedade da bicicleta também foi apresentada à investigação.
A família afirma ainda que Cláudio tinha questões psicológicas, mas não apresentava comportamento agressivo.
“O meu irmão tinha suas questões psicológicas, mas não de forma agressiva. Sim, de se tornar uma pessoa mais fechada, não verbal. Um homem tranquilo, de coração puro, bondoso, sempre disposto a ajudar as pessoas, solícito tanto na rua como dentro de casa. Eu não consigo acreditar no que fizeram com meu irmão. Isso precisa ser resolvido o mais rápido possível”, afirmou Fabiana Landeiro Hansen, irmã de Cláudio Rafael.
A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar todos os envolvidos nas agressões e esclarecer a participação de cada um na morte de Cláudio Rafael Landeiro.
Veja as imagens: