Um naufrágio na região costeira do Rio Oiapoque, na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, deixou uma pessoa morta e outra desaparecida. O acidente aconteceu na madrugada do último domingo (16) e mobilizou equipes de resgate dos dois lados da fronteira.
Segundo informações repassadas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amapá, três pessoas que estavam na embarcação conseguiram sobreviver e foram inicialmente resgatadas por pescadores. Outras duas permaneciam desaparecidas até esta terça-feira (18), quando uma delas foi localizada já sem vida.
Os nomes das vítimas ainda não foram divulgados pelas autoridades.
Buscas chegaram à área francesa
Após familiares perderem o contato com a embarcação, o caso foi comunicado ao 7º Grupamento de Bombeiros Militar (7º GBM), em Oiapoque. A partir daí, os Bombeiros organizaram uma operação junto com a Marinha do Brasil para tentar localizar as vítimas que continuavam desaparecidas.
Durante o trabalho, a Marinha utilizou um sistema de georreferenciamento para identificar a possível área do naufrágio. O ponto indicado ficava a aproximadamente 80 quilômetros da foz do Rio Oiapoque, já em águas sob jurisdição da Guiana Francesa.
Por causa da localização, as equipes brasileiras não puderam avançar diretamente com as buscas. As autoridades do Amapá entraram em contato com órgãos de segurança e salvamento da Guiana Francesa para comunicar a ocorrência e solicitar apoio na continuidade da operação.
Uma vítima foi encontrada morta
Na terça-feira (18), uma das duas pessoas que ainda estavam desaparecidas foi localizada morta.
A outra vítima continua desaparecida e, até a última atualização das autoridades, não havia sido localizada.
O major Izídio Júnior, porta-voz do Corpo de Bombeiros em Macapá, informou que equipes permanecem dando apoio no município de Oiapoque e mantendo contato com as autoridades responsáveis pela operação.
A comunicação com as equipes que estão na região é limitada, o que dificulta a atualização das informações em tempo real.
Embarcação não seria adequada para a região
De acordo com informações repassadas aos Bombeiros pelos sobreviventes, a embarcação envolvida no acidente não teria estrutura adequada para enfrentar as condições de navegação naquela área.
A região próxima à foz do Oiapoque sofre influência das condições marítimas, e a navegação durante a madrugada pode aumentar os riscos, principalmente em embarcações sem estrutura apropriada.
Durante as discussões entre as instituições envolvidas no atendimento, também surgiu a informação de que os ocupantes poderiam estar realizando atividades relacionadas à pesca e ao garimpo na região de fronteira.
O Corpo de Bombeiros ressaltou que não apoia atividades ilegais de garimpo e alertou para os riscos da navegação em uma área próxima ao oceano e sujeita a condições adversas.
Fronteira exige operação conjunta
O caso também evidencia uma particularidade da região do Oiapoque: parte da área de busca pode ficar sob jurisdição francesa, o que exige articulação entre os dois países.
A própria Marinha do Brasil já realizou exercícios conjuntos com autoridades francesas para aperfeiçoar operações de busca e salvamento na região da fronteira. Em junho deste ano, um treinamento Brasil-França simulou uma operação envolvendo áreas sob diferentes responsabilidades de salvamento.
No caso do naufrágio, essa cooperação passou a ser necessária depois que o ponto indicado para as buscas foi identificado em águas sob jurisdição francesa.
As autoridades seguem acompanhando a ocorrência e aguardam novas informações sobre a vítima que permanece desaparecida.