Terremoto na Colômbia deixa 164 mortos no segundo dia de buscas por sobreviventes
O número de mortos após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia subiu para 164 nesta terça-feira (11), enquanto equipes de emergência entram no segundo dia de buscas por sobreviventes e desaparecidos. O tremor, registrado na manhã de segunda-feira (10), provocou desabamentos, destruiu imóveis e deixou centenas de pessoas feridas em diferentes cidades do país.
As operações de resgate foram retomadas durante a madrugada e seguem concentradas principalmente nas áreas mais atingidas. Bombeiros, equipes especializadas, autoridades, voluntários e outros profissionais trabalham na retirada de pessoas dos imóveis destruídos e na procura por vítimas que ainda podem estar desaparecidas.
O balanço de mortos foi atualizado ao longo das primeiras horas desta terça-feira e pode aumentar à medida que os socorristas avançam sobre áreas onde estruturas desabaram. A expectativa das autoridades é de que o número de vítimas ainda sofra alterações durante o trabalho de identificação e localização de pessoas.
Cali é uma das cidades mais atingidas
Cali concentra o maior número de mortes até o momento, com 85 vítimas, segundo o levantamento mais recente. A cidade sofreu danos significativos em prédios e outras estruturas, obrigando equipes de emergência a trabalhar em diferentes pontos simultaneamente.
Hospitais também foram afetados pelo terremoto. Parte das estruturas precisou ser esvaziada ou teve o atendimento reorganizado devido aos danos provocados pelo tremor. Pacientes chegaram a ser atendidos do lado de fora de uma unidade de saúde depois que uma parte do prédio sofreu desabamento.
Em Pereira, outra das cidades mais atingidas, foram contabilizadas 66 mortes. Equipes de resgate passaram a noite trabalhando entre os escombros, enquanto centenas de voluntários ajudavam nas operações de emergência.
Outras 13 mortes foram registradas em Chocó, região próxima ao epicentro do terremoto. O acesso a algumas localidades é considerado difícil, o que tem complicado a chegada de equipes e o transporte de equipamentos e suprimentos.
Mais de 2,7 mil pessoas são consideradas desaparecidas
Além das mortes e dos feridos, as autoridades enfrentam uma situação de grande incerteza envolvendo pessoas que ainda não foram localizadas. Mais de 2,7 mil pessoas foram dadas como desaparecidas, segundo informações divulgadas durante o segundo dia de operações.
Por causa disso, os trabalhos de busca continuam sendo tratados como prioridade. As equipes procuram sinais de sobreviventes entre os destroços e fazem avaliações cuidadosas antes de remover partes das estruturas danificadas, para evitar novos desabamentos.
Mais de 1,5 mil imóveis foram afetados
O terremoto provocou danos generalizados na região oeste da Colômbia. Segundo os balanços divulgados nesta terça-feira, 1.575 moradias foram afetadas.
A destruição atingiu residências, prédios públicos, estabelecimentos comerciais e estruturas de atendimento à população. Em algumas cidades, moradores deixaram suas casas por medo de novos tremores e permaneceram nas ruas ou em áreas consideradas mais seguras.
O impacto também atingiu a infraestrutura de transporte. O aeroporto de Pereira sofreu danos e outras instalações tiveram as operações afetadas pelo terremoto. Cinco aeroportos permaneciam sem voos comerciais nesta terça-feira em razão dos efeitos do desastre.
Governo decreta emergência e reforça segurança
Diante da dimensão da tragédia, o governo colombiano mobilizou recursos para atender as regiões atingidas. O presidente Abelardo de la Espriella declarou situação de emergência e determinou o emprego de estruturas do governo nas ações de socorro.
Em Cali, onde o número de mortos é o maior até agora, cerca de 1.000 agentes de segurança foram mobilizados em meio às operações de emergência e a preocupações com a segurança em áreas afetadas. Também foram adotadas medidas de restrição de circulação em algumas cidades.
Tremor foi sentido em outros países
O terremoto também foi percebido fora da Colômbia. O tremor foi sentido em áreas do Equador, Panamá, Venezuela e Brasil, provocando momentos de apreensão entre moradores.
O abalo é considerado um dos mais fortes registrados no país nas últimas décadas e atingiu uma região conhecida pela produção de café. A dimensão da destruição também reacendeu na população colombiana a lembrança do terremoto de 1999, que devastou cidades da região cafeeira e deixou milhares de mortos.
Buscas devem continuar
Mesmo com o aumento do número de vítimas, as equipes de emergência mantêm as buscas por sobreviventes. O segundo dia é considerado decisivo para localizar pessoas que possam estar presas em estruturas danificadas.
As autoridades ainda trabalham na avaliação dos prejuízos e na identificação das vítimas. Com milhares de pessoas desaparecidas e áreas que ainda precisam ser completamente vistoriadas, o balanço de mortos pode aumentar nas próximas horas.
Enquanto os trabalhos avançam, familiares permanecem à espera de informações sobre pessoas que ainda não foram localizadas, e equipes de resgate seguem mobilizadas nas áreas mais destruídas pelo terremoto.
Foto: Joaquin Sarmiento/AFP