Historiador alerta para risco em casarões centenários após desabamento no centro de Belém

Uso como depósitos e o intenso fluxo de veículos estão entre os principais fatores que comprometem estruturas históricas e aumentam o risco de novos desmoronamentos
Redação Imediato Online
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O desabamento de parte de um casarão na área comercial de Belém na última segunda-feira (6)  voltou a acender o alerta sobre a conservação do patrimônio histórico da capital paraense. Quem precisou circular pela rua Treze de Maio, uma das mais movimentadas do comércio, foi surpreendido pela interdição da via após o incidente registrado na última segunda-feira.

 

Desde então, equipes do Corpo de Bombeiros e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) atuam na área para evitar novos desmoronamentos. Os trabalhos iniciais se concentraram na retirada de materiais dos escombros e na instalação de estruturas metálicas para contenção da edificação. Outras análises técnicas ainda serão realizadas para avaliar as condições do imóvel.

De acordo com o historiador Márcio Neco, esse tipo de ocorrência não é isolado e reflete um problema estrutural mais amplo no centro histórico da cidade. Segundo ele, muitos desses casarões têm cerca de 200 anos e foram projetados para uma dinâmica diferente da atual, com uso residencial nos andares superiores e comércio no térreo.

“Hoje, muitos desses imóveis são utilizados como depósitos, sem qualquer critério técnico ou avaliação da capacidade de carga. Isso compromete não só a estrutura, mas também a segurança de quem circula pela região”, alertou o historiador.

Além das alterações internas, fatores externos também contribuem para o desgaste das construções. O fluxo intenso de veículos em vias estreitas, que não foram planejadas para suportar o tráfego moderno, provoca vibrações constantes que afetam a fundação e as paredes dos prédios históricos.

Márcio Neco defende a atuação dos órgãos públicos na fiscalização e preservação desses imóveis. “É fundamental que haja intervenção e diálogo com a sociedade para encontrar soluções”, afirmou.

O serviço de escoramento do imóvel atingido está sendo executado por uma empresa contratada pelo proprietário. Por questões de segurança, o perímetro segue interditado por tempo indeterminado.

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel), informou que presta apoio às ações coordenadas pelo Iphan e pelo Corpo de Bombeiros, atuando no isolamento da área e na organização do trânsito.

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