Moradores de uma vila de kitnets localizada na Rua Doutora Marta Cunha, no Conjunto Augusto Montenegro, bairro Lírio do Vale, zona oeste de Manaus, vivem dias de medo por conta de uma erosão que avança rapidamente e ameaça derrubar uma parede onde estão instalados os medidores e a distribuição de energia elétrica do imóvel.
O problema, segundo os residentes, começou no início do período chuvoso deste ano. O que inicialmente era apenas um pequeno buraco acabou se transformando em uma grande cratera ao lado da vila, comprometendo a estrutura da calçada, parte do terreno e colocando em risco cinco famílias que vivem no local.

A situação se agravou nos últimos dias e obrigou os próprios moradores a improvisarem uma solução emergencial: duas cordas foram amarradas na parede que sustenta os medidores de energia para evitar que ela desabe.
A estrutura ameaçada é responsável pelo fornecimento de energia elétrica de todas as kitnets da vila. Caso a parede ceda, além da interrupção no serviço, existe o temor de acidentes graves envolvendo choque elétrico, curto-circuito ou até incêndio.
“Começou pequeno, mas foi crescendo com as chuvas. A gente chamou equipes para resolver antes que atingisse a parte elétrica, mas ninguém veio. Agora está muito perigoso”, relatou a moradora Rebeca, uma das residentes da vila.

Segundo ela, diversos pedidos de ajuda já foram feitos aos órgãos responsáveis, incluindo abertura de protocolos para atendimento. Apesar disso, nenhuma intervenção definitiva foi realizada até o momento.
Além do risco estrutural, moradores afirmam que a cratera já provocou acidentes. Crianças e adultos teriam caído no local nos últimos dias devido ao avanço da erosão e à falta de proteção adequada na área.
“Já caiu criança aqui, já caiu dois homens também. A gente tenta sinalizar, mas quando chove fica pior porque o barro vai cedendo”, contou a moradora.

A preocupação não se limita apenas à parede da rede elétrica. A erosão também ameaça tubulações de água e parte da estrutura da vila, que possui dois pisos. O terreno apresenta sinais de deslizamento, e a cada nova chuva a terra continua cedendo.
Os moradores afirmam ainda que um problema semelhante já havia surgido em outro trecho da rua. Na ocasião, segundo eles, equipes teriam apenas colocado barro no local, sem realizar obras definitivas de contenção.
Outro residente afirmou que os moradores vivem em constante estado de alerta, principalmente durante a noite e em períodos de chuva forte.
“A gente praticamente não consegue dormir tranquilo. Quando começa a chover, a água desce muito forte aqui. Se essa parede cair, pode causar um acidente sério”, disse.

A área afetada fica em uma região de passagem de estudantes e moradores, o que aumenta o risco de novos acidentes. Enquanto aguardam providências, os próprios residentes continuam colocando cascalho e tentando reforçar a área para evitar que a situação piore ainda mais.
Até o momento, nenhuma obra emergencial havia sido iniciada na área.
Fotos: Elias Fonseca / Imediato