Paratleta Leide Silva relata desafios após ser atropelada por motorista embriagado durante corrida em Manaus

O acidente ocorreu no cruzamento das ruas João Valério e Maceió, trecho parcialmente interditado para a prova.
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MANAUS-AM | Na manhã deste domingo (8), a paratleta Leide Silva, 52 anos, foi atropelada por um motorista alcoolizado enquanto participava de uma corrida especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus. O acidente ocorreu no cruzamento das ruas João Valério e Maceió, trecho parcialmente interditado para a prova.

Leide, que liderava a corrida, não conseguiu evitar a colisão. O condutor do veículo, um carro vermelho, foi detido e levado à delegacia, devendo responder pelo crime em audiência de custódia. Até o momento, nenhum familiar ou advogado do motorista procurou a paratleta.

Apesar do susto, Leide sobreviveu e expressou alívio por ter recebido socorro rápido. “Primeiro foi um livramento de Deus. Agradeço por estar viva. Se tivesse me adiantado um pouco, o resultado poderia ter sido muito pior”, disse.

O impacto deixou Leide com fraturas na clavícula, ferimentos no rosto e na cabeça, além de quebrar um dente, descoberto apenas depois. Sua cadeira de rodas profissional, trazida de Goiânia, também ficou danificada, com rodas empenadas e problemas nos freios.

A paratleta relatou a dificuldade para realizar tarefas básicas, como ir ao banheiro e se alimentar, devido à imobilização dos braços e à ausência de banheiro em seu quarto. “É uma dificuldade enorme, muita dor para me deslocar até o banheiro. Minha maratona de Manaus e a meia maratona de Flores acabaram por conta da irresponsabilidade de alguém que dirigiu alcoolizado”, afirmou.

Leide estima que a recuperação levará de 45 a 60 dias e já planeja voltar às corridas assim que liberada pelos médicos.

Apesar do acidente, Leide é conhecida por sua determinação no atletismo. A atleta começou a correr após convite do professor Maurício Abreu, mesmo não sendo usuária de cadeira de rodas inicialmente. Hoje, ela acumula medalhas e troféus de diversas competições, incluindo a São Silvestre 2025, onde se tornou a primeira mulher amazonense a conquistar o título.

“Vou a todas as corridas, grandes ou pequenas, porque amo correr. Não é apenas por premiação. A corrida é minha paixão”, disse Leide. Ela também participa de grupos de corrida em Manaus e Manacapuru, cidade onde nasceu e foi criada, recebendo apoio e incentivo contínuos.

Leide mantém contato com amigos e fãs pelas redes sociais e pelo WhatsApp, compartilhando suas conquistas e agora pedindo ajuda para adaptar seu quarto, tornando o banheiro mais acessível. “Se alguém quiser me ajudar nesse sentido, deixo meu apelo. É muito difícil sem apoio, mas estou me mantendo firme e seguindo as orientações médicas”, explicou.

A sociedade e os organizadores de eventos reforçam a importância da responsabilidade no trânsito, e a expectativa é de que a justiça seja feita para que o autor do atropelamento de Leide Silva responda integralmente pelos danos causados.

Fotos: Tarcísio Heden / Imediato

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