AMAZONAS | Moradores do distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, voltaram a denunciar a precariedade da infraestrutura nas ruas da comunidade. O problema, que se arrasta há anos, afeta diretamente a mobilidade, a saúde e a rotina das famílias que vivem na região, principalmente nas proximidades da Avenida Veneza e das ruas 4 e 5.
De acordo com os relatos, a obra de pavimentação iniciou há cerca de dois anos, mas segue em ritmo lento. Enquanto isso, a população convive com dois cenários distintos e igualmente prejudiciais: no período de estiagem, a poeira invade as residências; no inverno amazônico, a lama toma conta das vias e impede a circulação de pedestres e veículos.

Na Rua 4, moradores afirmam que os buracos chegam a cerca de 20 centímetros de profundidade. Em dias de chuva, a água se acumula e transforma a via em um verdadeiro atoleiro. Bueiros entupidos agravam ainda mais a situação.
Segundo os residentes, o problema não é causado apenas pelo descarte irregular de lixo, mas principalmente pela grande quantidade de barro que escorre para dentro das tubulações. Com o entupimento, a água não escoa e acaba invadindo as casas mais baixas.
Uma tubulação que atravessa o bairro da rua 1 até a rua 8 também estaria comprometida. Parte da estrutura foi obstruída após construções sobre a área de escoamento, dificultando ainda mais a drenagem da água da chuva.
“Quando chove forte, a gente tira água de dentro de casa com balde. Não tem para onde a água correr”, relatou uma moradora.

A situação impacta até tarefas simples do dia a dia. Moradores relatam que, para sair de casa em dias de chuva, precisam tirar os sapatos e atravessar a lama descalços. Muitos só conseguem calçar os sapatos novamente ao chegar em uma área menos comprometida.
A falta de acesso adequado também afeta quem depende de transporte por aplicativo. Um pai, que tem um filho em tratamento de saúde e que utiliza muletas, contou que enfrenta constantes cancelamentos de corrida.
“Os motoristas não querem entrar na rua por causa dos buracos. Eu entendo que eles têm medo de quebrar o carro, mas eu preciso levar meu filho para tratamento”, desabafou.
Em caso de emergência, moradores temem que ambulâncias não consigam acessar determinadas vias da comunidade.

Outro ponto levantado pela população é o fato de ruas próximas já terem sido pavimentadas, enquanto outras permanecem sem qualquer melhoria. Segundo os relatos, vias como a Rua 6 e a Rua 3 receberam asfalto, enquanto as ruas 4 e 5 teriam sido deixadas de fora do cronograma.
Moradores afirmam que já procuraram representantes públicos em busca de esclarecimentos, mas dizem que as respostas são vagas e que não há previsão concreta para a conclusão das obras.

A comunidade pede que as autoridades municipais apresentem um posicionamento oficial e adotem medidas urgentes para resolver os problemas estruturais no distrito. Para os moradores, a situação vai além do desconforto: trata-se de uma questão de dignidade, saúde pública e segurança.
Enquanto aguardam uma solução definitiva, famílias seguem convivendo com ruas esburacadas, alagamentos frequentes e dificuldades de locomoção, em meio à sensação de abandono no Cacau Pirêra.
Imagens: Tarcísio Heden / Imediato