Manaus (AM) — Mensagens de áudio enviadas dias antes do crime passaram a integrar o inquérito policial que apura a morte de uma criança de 3 anos em Manaus. O material foi encaminhado por familiares às autoridades e está sob análise da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Nas gravações, o pai do menino relata estar doente, emocionalmente abalado, pede perdão à família e afirma que estaria vivendo “os últimos dias”.
O crime ocorreu na noite de quinta-feira (22), dentro de uma residência localizada na Travessa São Marçal, no bairro Cidade de Deus, zona norte da capital amazonense. O caso gerou forte comoção social e mobilizou forças de segurança por mais de 25 horas até a prisão do suspeito.
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De acordo com as investigações, o homem, identificado como Fernando Batista de Melo, de 48 anos, teria discutido com a companheira antes do ocorrido. Em seguida, ele foi até a casa do avô paterno, onde a criança estava, e levou o menino para o banheiro da residência. No local, o crime foi cometido.
O Instituto Médico Legal (IML) realizou os exames periciais e apontou, em laudo preliminar, que a morte da criança ocorreu por asfixia mecânica após agressões. A perícia e os investigadores classificaram a cena como extremamente impactante.
Após o crime, o suspeito fugiu do local, dando início a uma ampla operação policial. Equipes da Polícia Militar do Amazonas, com apoio de cães farejadores, drones e agentes especializados, concentraram as buscas em áreas de mata da capital.
Fernando foi localizado na madrugada de sábado (24), escondido no Parque Mosaico, no bairro Planalto, zona centro-oeste de Manaus. Ele estava próximo a uma fogueira no momento da abordagem. A prisão foi realizada sem incidentes, apesar da grande mobilização e comoção popular em torno do caso.
A Polícia Militar destacou o trabalho integrado das equipes envolvidas na operação e a importância do uso de tecnologia para localizar o suspeito em uma área de difícil acesso.
Os áudios enviados antes do crime estão sendo tratados como elementos relevantes para a investigação. Segundo a polícia, o conteúdo pode auxiliar na compreensão do contexto emocional do suspeito e na reconstrução da sequência de fatos que antecederam o homicídio.
Apesar disso, as autoridades reforçam que o material não altera a gravidade do crime nem a responsabilização penal. O suspeito permanece preso e à disposição da Justiça.
A DEHS continua reunindo depoimentos de familiares, testemunhas e profissionais envolvidos no atendimento da ocorrência, além de imagens e laudos técnicos, para a conclusão do inquérito.