Manaus/AM – A falta de acessibilidade no transporte público de Manaus tem transformado o direito de ir e vir em um desafio diário para pessoas com deficiência. No bairro Manoa, zona Norte da capital, o cadeirante Mário César denuncia a precariedade dos ônibus e das paradas, situação que o obriga a enfrentar longas esperas e riscos constantes para conseguir se locomover.
Segundo Mário, mesmo com os ônibus passando em frente à sua residência, ele precisa se deslocar por cerca de 15 a 20 minutos até a rua São Luiz, onde tenta pegar o transporte coletivo. Ainda assim, a dificuldade persiste. Ele relata que já chegou a esperar mais de três horas na parada e, quando o ônibus finalmente para, o elevador não funciona ou sequer possui a chave necessária para operação.
Além dos problemas nos veículos, a infraestrutura do local também agrava a situação. A parada de ônibus não possui rampa de acesso, obrigando o cadeirante a aguardar no meio da via, exposto ao tráfego de veículos e ao risco de acidentes. “A gente depende da sorte. Tem ônibus que funciona, mas a maioria não”, afirma.
Mário faz questão de ressaltar que os motoristas não são os responsáveis pela situação. De acordo com ele, muitos tentam ajudar, descendo do veículo para auxiliar na entrada, mas nem sempre isso é possível devido ao peso da cadeira de rodas motorizada e à falta de equipamentos adequados. “O problema é que está tudo quebrado: elevador, botão de parada, apoio para o cadeirante”, relata.
A dificuldade no transporte afeta diretamente a rotina do morador, que utiliza o ônibus para ir a consultas médicas, buscar materiais e realizar atividades essenciais do dia a dia, principalmente com destino à Cachoeirinha, por meio da linha 458. Outras linhas que passam pela região, segundo ele, também apresentam falhas constantes de acessibilidade.
O caso de Mário César reflete a realidade enfrentada por outros cadeirantes em Manaus, que convivem diariamente com a falta de manutenção nos ônibus e a ausência de estrutura adequada nas paradas. Ele pede que as autoridades municipais e estaduais voltem o olhar para a causa e garantam condições dignas de mobilidade para pessoas com deficiência.
Até o momento, não houve posicionamento oficial dos órgãos responsáveis sobre as denúncias. Enquanto isso, cadeirantes seguem lutando para ter garantido um direito básico: o de ir e vir com segurança e dignidade.