CASO BENÍCIO | Médica investigada pela morte de menino troca de defesa e advogado aponta falhas do hospital, não erro médico

Novos advogados da médica acusada pela morte de menino afirmam que o incidente não foi causado por erro médico, mas por falhas hospitalares.
Redação Imediato Online
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Manaus (AM) – A médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, trocou de defesa, e os novos advogados afirmam que o desfecho trágico do caso não foi provocado por erro na prescrição médica, mas por uma sequência de falhas sistêmicas, operacionais e estruturais dentro do Hospital Santa Júlia, em Manaus.

A posição foi apresentada pelo advogado criminalista Sérgio Figueiredo, que integra a nova equipe de defesa e atua em casos de grande repercussão nacional. Segundo ele, após assumir o caso, a defesa passou a realizar uma investigação própria, com base no Provimento nº 188 do Conselho Federal da OAB, para apurar inconsistências no inquérito policial.

“Quando começamos a analisar os autos, percebemos que havia algo errado na forma como os fatos estavam sendo conduzidos. Há falhas graves que não estão sendo tratadas com a devida profundidade”, afirmou o advogado.

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Prescrição por inalação

De acordo com a defesa, a médica prescreveu corretamente adrenalina por via inalatória, mas o sistema eletrônico do hospital teria alterado automaticamente a via de administração, fazendo constar aplicação intravenosa no documento impresso entregue à equipe de enfermagem.

“A doutora Juliana prescreveu corretamente. O que houve foi uma falha sistêmica comum em hospitais, onde a prescrição é lançada e o sistema imprime de forma equivocada”, alegou Figueiredo.

Segundo o advogado, a técnica de farmácia teria alertado que a medicação não deveria ser aplicada na veia e entregou o produto já preparado para inalação. Mesmo assim, a técnica de enfermagem teria optado por aplicar o medicamento por via intravenosa, retirando o conteúdo de um frasco destinado exclusivamente à inalação.

“Se havia dúvida, bastava dar 15 passos e retornar ao consultório da médica. Isso teria evitado toda a tragédia”, disse.

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Atendimento e estabilização

A defesa sustenta ainda que o pico da adrenalina ocorre entre 15 e 30 minutos, conforme literatura médica, e que a médica só foi acionada após a aplicação indevida do medicamento. Ao chegar, ela teria questionado o procedimento, assumido o atendimento e conseguido estabilizar a criança.

Ainda segundo o advogado, Juliana prescreveu um beta-bloqueador para conter os efeitos da adrenalina, mas a equipe superior decidiu não administrar o medicamento por entender que o quadro já estava controlado.

“Ela não abandonou a criança. Pelo contrário, prestou toda a assistência possível e permaneceu acompanhando o paciente”, afirmou.

Críticas ao CTI e tipificação penal

A nova defesa também aponta falhas no CTI, questionando a indicação de intubação, a reintrodução da adrenalina e o registro de 71 ampolas da substância no prontuário médico, número considerado alarmante.

O advogado também contesta a tentativa de enquadrar a médica por homicídio doloso por meio cruel, tipificação já rejeitada pela Justiça e pelo Ministério Público.

“O que se discute, se houver responsabilização, é homicídio culposo. Falar em dolo é juridicamente irresponsável”, declarou.

A médica está afastada das funções, proibida de sair da comarca e entregou espontaneamente o passaporte. Segundo a defesa, ela enfrenta abalos emocionais severos e teme pela própria segurança.

O inquérito da Polícia Civil segue em andamento e apura também a responsabilidade do hospital, da equipe do CTI e de outros profissionais envolvidos no atendimento.

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fotos: Reprodução

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