Moradores bloqueiam via no Puraquequara após quatro dias sem energia e denunciam abandono das autoridades

Moradores do Puraquequara em Manaus protestam após quatro dias sem energia elétrica e denunciam abandono das autoridades.
Redação Imediato Online
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Manaus (AM) – Moradores do Ramal Castanheira, no bairro Puraquequara, zona Leste de Manaus, realizaram na noite desta quinta-feira (11) uma manifestação na avenida Colatino Aleixo para protestar contra a falta de energia elétrica que persiste desde o último domingo (7). Revoltadas, dezenas de famílias bloquearam a via com barricadas para chamar a atenção das autoridades e da concessionária Amazonas Energia.

A região foi uma das afetadas pela forte chuva registrada no fim de semana, que provocou alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia em diversos bairros da capital. Apesar de outras áreas terem tido o serviço restabelecido ao longo da semana, os moradores do Puraquequara afirmam que continuam totalmente no escuro há quatro dias.

Durante o protesto, moradores relataram situações graves decorrentes da falta de energia, como falta de água, já que a comunidade depende de um poço elétrico, perda de alimentos, prejuízos no comércio e dificuldades para armazenar medicamentos sensíveis.

“Tem idosos, crianças, pessoas com deficiência. Tem mãe com criança autista, tem comerciante que perdeu tudo porque estragou na geladeira. A gente liga desde domingo e eles só dizem que vão enviar uma equipe, mas ninguém aparece”, disse um dos manifestantes.

Uma moradora emocionada afirmou estar sem tomar insulina, pois o medicamento precisa permanecer refrigerado. “Eu passei mal e fui parar no pronto-socorro. Minha insulina está estragando por falta de energia. Nós pagamos nossas contas, ninguém está pedindo favor”, protestou.

Segundo relatos coletivos, mais de 100 ligações foram feitas para o atendimento da Amazonas Energia desde o início do apagão. A comunidade afirma possuir todas as contas pagas e destaca que a manutenção, incluída nas faturas, não foi realizada.

Moradores ainda relataram que chegaram a encontrar um carro da concessionária estacionado próximo ao presídio, nas proximidades do ramal, mas mesmo após solicitarem atendimento presencial, a equipe não foi ao local.

Um dos pontos que mais revoltaram os moradores é a alegação de que o problema pode ser resolvido com a troca de uma única peça, conhecida como “canela” ou “banana”, estimada em cerca de R$ 100.

“É inadmissível que uma cidade como Manaus deixe famílias inteiras sofrendo por causa de uma peça tão simples. Estamos dormindo no calor, sem água, sem alimento e sem dignidade”, afirmou uma líder comunitária.

A Polícia Militar esteve presente no local para acompanhar o protesto e negociar a liberação parcial da via, preservando o direito dos moradores de se manifestarem, mas também garantindo o fluxo de veículos.

Apesar da presença policial, os moradores reforçaram que a manifestação é pacífica e que o objetivo é apenas pressionar a concessionária para que envie uma equipe técnica com urgência.

Comerciantes precisaram fechar as portas, famílias relatam noites mal dormidas e a falta de água se tornou um dos principais problemas enfrentados. Algumas pessoas afirmaram não tomar banho desde a última segunda-feira, já que o sistema de abastecimento depende exclusivamente da energia elétrica.

A situação é ainda mais crítica para famílias com crianças autistas, que sofrem crises no escuro e no calor. “São quatro noites sem dormir, sem conforto e sem condições básicas de higiene. Isso é desumano”, disse uma moradora.

Os moradores pedem que a Prefeitura de Manaus e, principalmente, a Amazonas Energia tomem providências imediatas para resolver o apagão. Eles reforçam que não estão pedindo favores, mas exigindo um direito básico pelo qual pagam todos os meses.

“Quando é época de eleição, todo mundo vem aqui atrás de voto. Agora que estamos precisando de ajuda, ninguém aparece”, desabafou uma das manifestantes.

Fotos: Tarcísio Heden / Imediato

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