Na noite desta quarta-feira (10), uma grande manifestação tomou conta do cruzamento da Avenida Dona Otília com a Avenida Ponta Negra, na comunidade Campo Sales, Zona Oeste de Manaus. Revoltados com a retirada repentina da linha de ônibus 126, principal meio de transporte de centenas de moradores da área mais baixa da comunidade, os moradores bloquearam as vias, atearam fogo em objetos e exigiram providências imediatas.
O ato começou após usuários perceberem que o coletivo deixou de circular por parte do bairro no período da tarde, por volta das 16h, sem qualquer aviso prévio. Muitos trabalhadores, estudantes e idosos ficaram impossibilitados de retornar para casa, o que aumentou ainda mais a insatisfação.
“A gente acorda quatro da manhã, depende desse ônibus”, dizem moradores

Diversos moradores relatam que o transporte público é a única opção de locomoção de grande parte da comunidade. Em meio ao protesto, uma moradora identificada como Dona Cris desabafou sobre a dificuldade enfrentada diariamente:
“A gente acorda quatro da manhã. Tem pai de família, mãe de família, estudante. O ônibus dá a volta lá em cima e não desce. Dependemos dele para tudo. Como uma criança vai subir sozinha no escuro? É perigoso, tem muito matagal”, afirmou.
Segundo ela, a empresa responsável afirmou que retirou o ônibus devido aos buracos que estariam danificando os veículos. No entanto, moradores dizem que o problema existe há anos e que soluções paliativas não resolvem mais. Moradores dizem que o bairro sofre abandono e cobram recapeamento total.
Outro morador, que há anos tenta melhorias para a região, afirmou que já houve promessas de recapeamento completo da via, mas que nada foi cumprido:
“Eles colocaram na pauta que seria feito o recapeamento, mas nunca chegaram a realizar. Só tamparam alguns buracos, e hoje está tudo do mesmo jeito. É enganação. A gente não pode aceitar isso.”
Moradores ressaltam que cadeirantes, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção também sofrem com a falta do transporte. Muitos afirmaram que a retirada inesperada foi a “gota d’água”.
O protesto ficou mais tenso quando manifestantes atearam fogo em entulhos e tentaram bloquear por completo o cruzamento. Em poucos minutos, viaturas da Polícia Militar, da Força Tática e equipes de apoio da área chegaram ao local para controlar a situação e evitar confrontos. Apesar da tensão, não houve registro de feridos.

Durante o protesto, um representante da comunidade, identificado como Nadiel, conversou com os moradores e afirmou que desceu até a área crítica da via, constatando a gravidade dos buracos.
Ele garantiu que equipes seriam mobilizadas ainda nesta madrugada para realizar reparos emergenciais que permitam a passagem do coletivo.
“Eu vou estar lá às quatro da manhã. Vamos concretar o trecho para os ônibus descerem. A palavra foi dada, e vai ser cumprida”, assegurou o representante.
Ônibus deve voltar a circular às 4h; moradores dizem que, se não acontecer, haverá novo protesto
Ao final da negociação, ficou acordado que a linha 126 voltará a circular normalmente a partir das 4h da manhã desta quinta-feira (11). Caso o compromisso não seja cumprido, os moradores afirmam que retornarão ao local e bloquearão novamente a via.
“Se o ônibus não descer, a gente volta. A gente está lutando pelos nossos direitos. O povo agora está acordado”, disse uma das moradoras.
Fotos: Tarcísio Heden / Imediato