Moradores do bairro Tancredo Neves, na zona Leste de Manaus, denunciaram a situação de abandono do terreno onde, anteriormente, havia cerca de 318 famílias cadastradas em programas habitacionais. A área foi desocupada após promessa de construção de apartamentos, mas, segundo relatos, o projeto não avançou e o local permanece vazio.

As famílias retiradas do espaço passaram a receber auxílio-aluguel no valor de R$ 600, mas afirmam enfrentar dificuldades para manter moradia com o benefício. Segundo os moradores, o valor não cobre os custos dos aluguéis na região, que ficaram mais altos nos últimos anos. Eles relatam ainda a necessidade de renovação frequente do auxílio, processo que, segundo eles, gera insegurança e atrasos no recebimento.
Uma moradora afirmou que o valor não cobre aluguel, água e luz, além da alimentação dos filhos. Segundo ela, encontrar casas para alugar com crianças também tem sido um desafio. Outros moradores relatam que, mesmo após serem convocados pela Secretaria de Habitação, não receberam o benefício dentro do prazo esperado.
Outra moradora contou que era cadastrada pelo Prosamim e que havia sido informada sobre uma indenização, mas o pagamento não foi liberado. Ela afirma que chegou a assinar documentos, abrir conta e entregar toda a documentação exigida, mas não recebeu retorno. A mesma moradora relata que autoridades estiveram no local antes da desocupação e chegaram a apresentar uma maquete do projeto habitacional.

Após a retirada das famílias, o terreno passou a ser utilizado para a construção de barracos improvisados por pessoas em situação de rua. Moradores afirmam que o espaço virou um terreno baldio e que o abandono favorece práticas ilícitas.
De acordo com os relatos, muitas famílias seguem vivendo exclusivamente com o auxílio-aluguel e afirmam que não receberam informações atualizadas da Secretaria de Habitação sobre um possível reassentamento ou andamento do projeto habitacional prometido.
Os moradores pedem uma resposta do poder público e afirmam que aguardam definição sobre a construção dos apartamentos ou outra solução para garantir moradia digna às famílias removidas do local.
Foto: Pablo Medeiros