Vendedores afirmam possuir autorização para atuar no local há mais de 20 anos e relatam que foram surpreendidos pela fiscalização às vésperas do Dia de Finados
Manaus (AM) – A manhã desta sexta-feira (31) começou com indignação e protesto na Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Manaus. Vendedores ambulantes que tradicionalmente montam suas barracas em frente ao Cemitério São João Batista foram surpreendidos ao chegar para trabalhar e descobrir que suas estruturas haviam sido removidas pela fiscalização da Prefeitura. O grupo, composto por homens e mulheres que dependem das vendas de flores e velas no feriado de Finados, denuncia que não recebeu aviso prévio nem orientação sobre um novo local para atuar.
Segundo os trabalhadores, a situação aconteceu durante a madrugada. Eles afirmam que haviam montado as barracas na quinta-feira (30), mas ao retornarem na manhã seguinte, encontraram o espaço vazio. “Eu cheguei por volta das sete da manhã e todas as barracas estavam desmontadas. A gente foi surpreendido por essa decisão do secretário, que mandou tirar tudo. Há mais de 20 anos que a gente trabalha aqui, é o nosso sustento, o pão de cada dia”, relatou uma das vendedoras emocionada.

Os ambulantes mostraram à reportagem do Site Imediato a autorização emitida pela Prefeitura de Manaus que, segundo eles, garante o direito de ocupar o local durante o período de Finados. Mesmo assim, foram impedidos de permanecer na calçada em frente ao cemitério. “Todos os anos estamos aqui, com permissão. Este ano, de repente, vieram e tiraram tudo. É injusto. A gente não está atrapalhando ninguém, só quer vender nossas flores e velas”, afirmou outro vendedor.
Sem alternativas, o grupo improvisou pequenas mesas no sol para tentar continuar as vendas. “Eles deixaram a gente montar só uma mesinha, mas se a fiscalização voltar, disseram que vão tirar de novo. Não é justo. A gente trabalha com sol e chuva, ninguém está pedindo favor. Queremos apenas respeito”, desabafou uma trabalhadora.
Fiscalização e falta de diálogo
Durante a transmissão feita ao vivo pelo Site Imediato, fiscais da Prefeitura foram vistos no local tirando fotos e registrando a situação. Os ambulantes afirmam que a justificativa dada informalmente seria a reorganização da área para implantação de um novo jardim em frente ao cemitério.
No entanto, os trabalhadores criticam a falta de diálogo e o impacto social da decisão. “Eles querem deixar o espaço bonito, tudo bem, mas não podem tirar famílias inteiras do sustento. Todo ano a gente trabalha aqui, e nunca houve problema. Agora, por causa de um jardim, estão deixando muita gente sem renda”, disse um dos vendedores mais antigos.
A presença dos ambulantes no entorno do Cemitério São João Batista é uma tradição antiga em Manaus. Todos os anos, durante o Dia de Finados, centenas de pessoas passam pelo local para comprar flores e velas em homenagem aos entes queridos. Muitos desses comerciantes dependem exclusivamente dessa época do ano para complementar a renda familiar.
“Meu pai começou aqui, e hoje sou eu quem continuo. Há mais de 20 anos estamos vendendo neste mesmo ponto. Sempre cumprimos as regras, deixamos tudo limpo, nunca atrapalhamos o trânsito. Não é justo o que estão fazendo com a gente”, lamentou outra vendedora.
Os ambulantes pedem que o prefeito de Manaus e o secretário responsável pela fiscalização se manifestem e encontrem uma solução para o impasse. “Nós não queremos briga, não queremos confusão. Só queremos trabalhar. Não é o ano todo, é só nessa data. A gente sabe respeitar o espaço público e manter tudo organizado. Prefeito, secretário, nos deixem trabalhar!”, pediram.
Enquanto isso, os trabalhadores continuam no local, tentando garantir as vendas mesmo sob o sol e sob o risco de nova ação da fiscalização. “A gente vai continuar aqui. Não estamos fazendo nada de errado. Queremos apenas vender nossas flores e levar comida pra casa”, disse uma das ambulantes.
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Imagens: Johnnata Reis / Imediato