Moradores da Rua Ladário, na Cidade Nova, vivem sob risco de deslizamento de terra e cobram ação imediata das autoridades

Moradores de rua em Manaus denunciam perigo de deslizamentos e cobram ação do poder público.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Manaus – Moradores da Rua Ladário, no Conjunto Canaranas, bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, vivem uma situação de risco extremo há meses, alertando que a área pode ser palco de novas tragédias. O bairro já registrou mortes em deslizamentos anteriores, como a de Sâmia, líder comunitária de 45 anos, que perdeu a vida ao tentar ajudar uma família durante uma forte chuva.

Segundo relatos de moradores, o barranco que acompanha a rua apresenta rachaduras no asfalto, erosões visíveis e árvores prestes a cair, tornando o trajeto extremamente perigoso. “Aqui, não podemos dormir tranquilos. A cada chuva, o medo aumenta. Quem será a próxima vítima?”, questiona Edson, morador da região há 20 anos, cuja casa está quitada e faz parte de uma comunidade que investiu décadas na própria residência.

A população, insatisfeita com a ausência de providências, precisou agir por conta própria. Sacos plásticos e barreiras improvisadas foram colocados para interditar trechos da rua e alertar sobre o perigo iminente. “Isso não é ornamentação nem bloqueio para eventos. É a única forma de tentar evitar que alguém caia com a rua ou seja atingido por árvores”, explica um morador.

A tragédia recente serve de alerta: o barranco já vitimou moradores no passado. Além da morte de Sâmia, casos de pai e filha soterrados no Bairro da Redenção evidenciam que a cidade convive com riscos recorrentes em áreas de encosta. A população reclama que, mesmo com alertas e registros de ocorrências anteriores, nenhuma ação eficaz foi tomada pelos órgãos competentes.

Moradores denunciam que o auxílio-aluguel oferecido pelo município é insuficiente e incompatível com os valores praticados na cidade. “Ofereceram R$ 600. Onde é possível alugar uma casa com esse valor em Manaus? Aqui ninguém invadiu terreno, pagamos nossas casas e trabalhamos duro para ter o que conquistamos”, critica Edson. A população sugere que um valor justo ou a execução das obras de contenção seria uma alternativa viável e urgente.

O descaso, segundo os moradores, se estende a diversos órgãos públicos. Prefeitura e governo estadual foram cobrados em múltiplas ocasiões, mas até agora não apresentaram soluções efetivas. A Defesa Civil, segundo relatos, só se desloca em dias de chuva intensa, quando o risco já é iminente, mas não durante períodos favoráveis para trabalho de contenção.

Além das rachaduras no asfalto, a Rua Ladário apresenta árvores que podem cair a qualquer momento, aumentando o risco de acidentes graves. Moradores relatam ouvir o barulho da terra deslizando e afirmam que vivem em permanente estado de alerta. Crianças e idosos são especialmente vulneráveis, e a população teme que novas mortes aconteçam caso não haja ação rápida.

“Estamos pedindo socorro. Não é só a minha família, são todos os moradores da rua. Queremos apenas viver em segurança”, afirma Edson. Ele lembra que gestões anteriores realizaram reparos em áreas de risco similares, mas que atualmente a situação se mantém sem solução desde 2023, mesmo com alertas prévios sobre a instabilidade do terreno.

Os moradores enfatizam que não se trata de um problema político, mas de uma questão de vidas humanas. “A cada dia que passa, corremos risco. É uma questão de urgência que precisa ser atendida imediatamente”, alerta um morador. A comunidade espera que prefeitura e governo estadual finalmente realizem as obras de contenção, reforcem a fiscalização e ofereçam um auxílio compatível para garantir a segurança e dignidade dos moradores.

Fotos: Tarcísio Heden / Imediato

Carregar Comentários