Manaus (AM) – A morte de Felipe da Silva Costa, de 27 anos, durante uma operação da Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), na tarde de sexta-feira (5), gerou revolta entre familiares, amigos e moradores do bairro Jorge Teixeira, na zona Leste de Manaus. O caso ocorreu por volta das 17h30, na rua Copaíba, e desde então a versão oficial da polícia tem sido contestada pela comunidade local.

De acordo com informações da Polícia Militar, Felipe teria sido atingido após uma suposta troca de tiros com policiais militares. A corporação alega que o jovem era suspeito de envolvimento com uma facção criminosa.
A versão, no entanto, é refutada por familiares e pessoas que estavam na casa no momento da abordagem. Segundo eles, Felipe havia acabado de chegar do trabalho, tirado o uniforme e estava sentado no sofá, ao lado da mãe, quando os policiais invadiram a residência e efetuaram diversos disparos.
“Ele era trabalhador, nunca se envolveu com facção. A polícia entrou atirando dentro de casa, na frente da mãe dele. Foi uma execução”, afirmou Bleyson, amigo de infância de Felipe, que disse ter presenciado a ação.

Outro colega de trabalho relatou que o jovem era pai de uma criança de 5 anos e sustentava a família com esforço diário. “O que fizeram foi uma barbaridade. Ele deixa boas lembranças para todos nós, porque sempre foi honesto e trabalhador. Queremos justiça”, declarou.
Durante a manifestação realizada no sábado (6), familiares exibiram cartazes pedindo justiça e afirmaram que a casa onde Felipe foi morto não apresentava marcas de disparos que pudessem comprovar confronto. “Se tivesse troca de tiros, as paredes estariam marcadas. Aqui não tem nada. Não houve confronto”, disse um parente, que guiou a reportagem pela residência para mostrar a ausência de vestígios.

Testemunhas também afirmam que nenhuma arma foi encontrada com Felipe e que a versão divulgada pela polícia é contraditória. “Eles mataram um rapaz inocente e agora tentam justificar dizendo que ele era criminoso. Nós não vamos aceitar isso”, disse a prima do jovem, emocionada.
A mãe de Felipe, que presenciou a cena, relatou toda a situação e momentos de terror que vivenciou. Ela relata que conversava com um irmão pelo telefone no momento em que os disparos aconteceram, e ele teria escutado toda a ação à distância.

Felipe trabalhava em uma loja da capital e era conhecido entre os colegas como dedicado e responsável. Fotos e vídeos exibidos pelos familiares mostram o homem de farda, em atividades de trabalho.
O caso deve ser investigado pela Polícia Civil e acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar, que deve apurar a conduta dos policiais envolvidos. Até o momento, não houve posicionamento oficial da corporação sobre as denúncias de execução.
A família informou que pretende recorrer à Justiça para responsabilizar os agentes. “A vida dele não volta, mas não vamos deixar isso impune”, afirmou um dos manifestantes.

Fotos: Johnnata Reis / Imediato