Manaus (AM) – O que deveria ser um procedimento simples transformou-se em um drama que já dura dois anos para a família de Maria Ivánida da Mata Melo, de 46 anos. Internada no Hospital Getúlio Vargas, em Manaus, para realizar uma cirurgia de septoplastia – indicada para corrigir desvio no septo nasal –, a paciente nunca chegou a passar pelo procedimento. Segundo familiares, Maria sofreu uma parada respiratória dentro do centro cirúrgico e permaneceu cerca de 20 minutos sem oxigenação adequada, o que teria provocado lesões neurológicas graves. Desde então, ela permanece em estado vegetativo.

De acordo com a irmã da paciente, Nazaré Fodral, o caso aconteceu no dia 30 de julho de 2023. “Ela deu entrada no hospital no dia 29, andando, falando, consciente. No dia seguinte, entrou na sala de cirurgia para fazer uma septoplastia e nunca mais voltou a si. Desde então, está vegetando em um leito hospitalar”, afirmou, em tom emocionado.
A família afirma que, nos primeiros dias após o ocorrido, houve resistência por parte da equipe médica em dar informações. Segundo Nazaré, o anestesista responsável se negou a conversar com os familiares e só prestou esclarecimentos oito dias depois. “Mesmo assim, as explicações nunca foram suficientes. Até hoje não sabemos o que realmente aconteceu com minha irmã. Queremos justiça, queremos respostas”, desabafa.
Pedido por Home Care e assistência completa
Com o agravamento do quadro de saúde de Maria Ivánida e a limitação da estrutura hospitalar, a família reivindica que o Estado ofereça o serviço de Home Care – um atendimento domiciliar que possibilite melhores condições de cuidado. O pedido inclui o suporte de técnico de enfermagem, fisioterapeuta e fonoaudiólogo.

“Ela precisa de atendimento humanizado, digno. Cada deslocamento para exames é uma luta. Já tivemos situações em que a ambulância atrasou por horas. O mínimo que pedimos agora é que ela possa ser cuidada em casa, com estrutura adequada, cercada da família”, diz Nazaré.
Além da falta de assistência completa, os familiares afirmam que enfrentam entraves burocráticos. O caso está sendo discutido judicialmente, mas há impasse entre a Defensoria Pública do Estado (DPE) e a Defensoria Pública da União (DPU), o que tem atrasado o encaminhamento da solução.
“Minha irmã não vai voltar a ser quem era, mas ela pode ter mais conforto. Ela precisa viver com dignidade. Estamos cansados de promessas e silêncio. Queremos ação”, finaliza a irmã.
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