STF determina bloqueio de bens de Eduardo Bolsonaro por atuação nos EUA contra Alexandre de Moraes

Decisão do ministro Alexandre de Moraes bloqueia bens do deputado Eduardo Bolsonaro por suas ações contra o STF nos EUA.
Redação Imediato Online
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, no sábado, 19 de julho de 2025, o bloqueio de todos os bens móveis e imóveis, contas bancárias e chave Pix do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A decisão, mantida em sigilo, foi tomada no âmbito do Inquérito 4995/DF, que investiga a atuação do parlamentar nos Estados Unidos, onde ele tem denunciado uma suposta perseguição política do STF. A medida também impede Eduardo de receber ou transferir dinheiro, incluindo seu salário da Câmara dos Deputados, que ficará retido.

Estratégia de ‘Asfixia Financeira’

A ordem de Moraes faz parte de uma estratégia investigativa conhecida como “asfixia financeira”, que visa interromper supostas práticas criminosas por meio do bloqueio de recursos financeiros. Segundo o despacho, Eduardo intensificou condutas ilícitas após uma operação da Polícia Federal (PF) realizada na sexta-feira, 18 de julho, contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu em uma ação penal por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), liderada por Paulo Gonet, avalia que Eduardo e Jair Bolsonaro atuam em conjunto para obstruir a Justiça e interferir no andamento da ação penal AP 2668, que investiga a tentativa de golpe. A PGR aponta que as ações de Eduardo nos EUA, onde ele reside desde março de 2025, buscam pressionar o STF por meio de articulações com o governo de Donald Trump, resultando em sanções internacionais contra o Brasil, como a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, e a suspensão de vistos de ministros do STF, incluindo Moraes.

Articulações nos EUA e Repercussão

Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do mandato em 18 de março de 2025, tem se reunido com autoridades americanas, como o congressista Cory Mills, e aliados de Trump, como Paulo Figueiredo, para pleitear sanções contra Moraes, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky, que prevê bloqueio de bens e proibição de entrada nos EUA. Em uma entrevista à CNN, Eduardo confirmou essas articulações, enquanto posts no X e vídeos, como um gravado em frente à Casa Branca, reforçam suas denúncias contra o STF. A PGR interpreta essas ações como coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que admitiu à PF ter transferido R$ 2 milhões para custear a permanência de Eduardo nos EUA, também é investigado por se beneficiar diretamente dessas ações. Moraes determinou que ele preste depoimento à PF em até 10 dias para esclarecer sua participação.

Contexto da Investigação

O inquérito contra Eduardo foi aberto em 26 de maio de 2025, após pedido da PGR, motivado por uma representação do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). A investigação apura três crimes: coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa (Lei 12.850/13) e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (artigos 359-L e 359-M do Código Penal). Moraes, relator do caso por sua conexão com o Inquérito das Fake News (Inq 4.781) e a ação penal da tentativa de golpe, também determinou o monitoramento de postagens de Eduardo nas redes sociais e a oitiva de diplomatas brasileiros nos EUA.

As ações de Eduardo culminaram em retaliações do governo Trump, como o anúncio do secretário de Estado Marco Rubio, em 18 de julho, de que Moraes, seus familiares e “aliados” no STF teriam seus vistos para os EUA revogados. O governo americano justificou as sanções alegando que Moraes promove uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, violando direitos de brasileiros e americanos.

Reações e Implicações

Eduardo Bolsonaro reagiu à decisão de Moraes classificando-a como um “ato de ditadura” e “tentativa de asfixia financeira”. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., ele afirmou: “Alexandre de Moraes acabou de bloquear minha conta, não vai encontrar nada.” O deputado insiste que suas ações nos EUA são legítimas e visam denunciar abusos do STF.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as sanções americanas, chamando-as de “chantagem inaceitável” e prometendo recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas. A Advocacia-Geral da União (AGU), por meio do ministro Jorge Messias, elogiou a abertura do inquérito, afirmando que Eduardo tenta interferir no processo penal contra seu pai.

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