Tragédia em Milão: Enfermeira brasileira morre ao pular de apartamento em chamas

Enfermeira brasileira morre em incêndio em Milão, levantando suspeitas sobre possível homicídio.
Redação Imediato Online
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A enfermeira brasileira Sueli Leal Barbosa, de 48 anos, morreu na madrugada de quinta-feira (5/06) ao pular da janela de seu apartamento no quarto andar de um prédio em chamas, localizado no número 64 da Viale Abruzzi, em Milão, norte da Itália. Segundo testemunhas, Sueli saltou quando labaredas e fumaça já tomavam o imóvel. Ela foi socorrida com vida e levada em estado gravíssimo ao Hospital Fatebenefratelli, mas não resistiu aos ferimentos. O caso, que chocou a comunidade brasileira na Itália, levanta suspeitas devido à porta trancada por fora e relatos de uma discussão entre Sueli e seu companheiro, um brasileiro de 45 anos, antes do incêndio. As investigações, conduzidas pela polícia milanesa e pela unidade de incêndios da Lombardia, apontam para possível incêndio doloso, com o companheiro, identificado como Michael Pereira, preso por homicídio voluntário agravado e incêndio criminoso.

Detalhes da Tragédia

O incêndio começou por volta da 1h da madrugada (20h de quarta-feira, 4/06, no horário de Brasília) no apartamento de Sueli, no quarto andar de um prédio de sete andares na Viale Abruzzi, uma avenida central de Milão. Vizinhos relataram ao jornal La Repubblica terem acordado com gritos de socorro: “Ajuda, ajuda!”, enquanto viam chamas intensas e vidros estourando devido ao calor extremo. Sueli, presa no apartamento com a porta trancada por fora, tentou escapar lançando-se pela janela, sofrendo traumas múltiplos após uma queda de 15 metros. Socorristas da Agenzia Regionale Emergenza Urgenza (Areu) a transportaram em código vermelho, mas ela faleceu horas depois.

Sueli, que vivia na Itália há 20 anos, era operadora socio-sanitária no Istituto Nazionale dei Tumori de Milão, após trabalhar no Hospital Gaetano Pini. Mãe de um menino de 10 anos de um casamento anterior, ela era descrita como “solar e generosa” por amigos, como Edjane Pionorio, que a conheceu em 2012. Seu filho, por sorte, estava com o pai na noite do incêndio, devido a acordos de custódia. Sueli era proprietária do apartamento, que estava à venda, pois ela planejava se mudar para uma casa maior, segundo seu companheiro.

Investigações e Suspeitas

A polícia milanesa e o Nucleo Investigativo Antincendi (NIA) da Lombardia investigam as causas do incêndio, que apresenta circunstâncias anômalas:

  • Porta trancada por fora: Bombeiros encontraram a porta do apartamento fechada com chave, impossibilitando a saída de Sueli, o que reforça a hipótese de incêndio doloso.
  • Discussão prévia: Vizinhos, como Marija Caric Poli, relataram uma briga acalorada entre Sueli e seu companheiro horas antes, com gritos e confusão. Registros mostram uma intervenção policial em março de 2024 no mesmo apartamento por violência doméstica.
  • Comportamento do companheiro: Michael Pereira, brasileiro de 45 anos, imigrante e pintor, foi encontrado pela polícia às 1h30 em um bar próximo, na Piazzale Loreto, a 500 metros do prédio. Ele estava em estado alterado, com fuligem no corpo, e deu versões contraditórias: primeiro disse ter saído antes do incêndio, depois afirmou ter deixado a porta aberta. Após um interrogatório de 24 horas, a promotora Maura Ripamonti emitiu um mandado de prisão por homicídio voluntário agravado (art. 575 do Código Penal italiano) e incêndio doloso (art. 423-bis), com pena de até prisão perpétua.

Michael, que vivia com Sueli há três anos, foi descrito por amigos e vizinhos como violento e obsessivo. A mãe de Sueli, Geralda, de 83 anos, declarou ao Corriere della Sera: “Eu dizia a ela para deixar esse homem.” Um amigo da enfermeira, citado pelo Fanpage.it, afastou-se do casal devido ao comportamento agressivo de Michael. Durante o interrogatório, ele não confessou e mostrou “nenhum sinal de dor”, segundo a promotora Ripamonti.

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