Logo após se tornar réu por suposta tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez uma defesa enfática durante um discurso de 50 minutos no Senado, em Brasília. Ao lado de aliados no parlamento, Bolsonaro negou as acusações de que teria articulado uma tentativa de golpe com os comandantes das Forças Armadas para suspender as eleições de 2022, conforme sustenta a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Bolsonaro voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas, reafirmando sua narrativa de ser alvo de perseguição política. Além disso, o ex-presidente fez duras críticas ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.
A denúncia da PGR aponta que, no dia 7 de dezembro de 2022, Bolsonaro teria se reunido no Palácio da Alvorada com os comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, onde teria sido apresentada uma minuta que visava suspender as eleições e instaurar um golpe de Estado. De acordo com o Ministério Público, esse ato configuraria uma tentativa de ruptura democrática.
Ao comentar o julgamento que o tornou réu, Bolsonaro argumentou que os comandantes militares jamais teriam se envolvido em uma “aventura” golpista. O ex-presidente também afirmou que “discutir hipóteses de dispositivos constitucionais não é crime”, em referência à minuta de um possível Estado de Sítio ou de Defesa, documento que, para a PGR, representa a materialização de um golpe.
Bolsonaro reforçou ainda a versão de que é uma vítima de perseguição política, afirmando que o Brasil já não seria mais uma democracia. “A comunidade internacional acompanha de perto o que está acontecendo no Brasil. Juristas, diplomatas e lideranças políticas já reconhecem o padrão: é o mesmo roteiro que se viu na Nicarágua e na Venezuela”, disse.