Manaus, 05 de março de 2025 – Na Zona Leste de Manaus, o final da Rua Professora Maria, antiga Rua Belo Horizonte, no bairro Tancredo Neves, amanheceu coberto de lama e tristeza após a chuva intensa que atingiu a cidade na tarde de ontem. O transbordamento de um igarapé, uma realidade recorrente na capital amazonense, invadiu casas, destruiu bens e deixou um rastro de desespero. Entre os atingidos, Dona Ivaneide viveu uma perda que vai além do material: a frustração de ver o aniversário de sua filha ser arruinado pelas águas.
A equipe do Imediato esteve no local e acompanhou o drama dos moradores. Dona Ivaneide abriu as portas de sua casa – ou o que restou dela – para mostrar o prejuízo. “Perdi a geladeira, o fogão virou, as coisas do guarda-roupa molharam tudo. A água entrou com uma força que a gente não conseguiu segurar”, relatou, apontando para a mancha na parede que marca quase um metro de altura. Mas o que mais pesou em seu coração foi a data especial que a enchente levou embora. “Era o aniversário da minha filha ontem, dia 30. Ela veio pra cá, e a gente ia fazer uma surpresa. Mas a chuva acabou com tudo”, desabafou, com os olhos marejados.
O plano era simples: um bolo, uma pequena celebração, um momento de alegria em família. Em vez disso, Dona Ivaneide passou o dia tentando salvar o que podia. A cama foi erguida sobre cadeiras, os gatinhos que ela cria foram colocados em caixas para não se afogarem, mas a geladeira, o fogão e os móveis não resistiram. “Nem consegui dormir essa noite, pensando no que perdemos e no que ainda pode vir com mais chuva”, confessou. A filha, que deveria ser o centro de uma festa, viu a mãe lutar contra a força da natureza em um dia que era para ser dela.
A situação de Dona Ivaneide reflete a de muitos na região. O igarapé, que corta a cidade como uma veia exposta, transborda a cada chuva forte, segundo os moradores. “Antes não alagava tanto, mas agora é toda vez”, lamentou ela, enquanto apontava para o quintal tomado pela lama. A falta de infraestrutura e de ações preventivas das autoridades é uma queixa unânime. “A gente quer ajuda, que alguém faça alguma coisa por nós”, pediu, ecoando o sentimento de abandono que paira sobre o bairro.
Enquanto a cidade se recupera aos poucos, o aniversário frustrado da filha de Dona Ivaneide fica como um símbolo silencioso das perdas que não aparecem nas estatísticas. Mais do que eletrodomésticos ou móveis, a enchente levou a chance de um sorriso, de um abraço comemorativo, de um “parabéns” cantado em paz. Para Dona Ivaneide e tantos outros, o apelo agora é por soluções que evitem que as próximas chuvas apaguem não só os bens, mas também os momentos de felicidade que tentam construir em meio ao caos.