Desigualdade Salarial no Brasil: Amazonas tem 21º rendimento médio do país

Pesquisa aponta fortes disparidades regionais no rendimento médio dos trabalhadores brasileiros, com Distrito Federal no topo e Norte e Nordeste na base da tabela.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um retrato acentuado da desigualdade regional no rendimento dos trabalhadores brasileiros. Enquanto o Distrito Federal lidera com um salário médio de R$ 5.043, o Amazonas aparece na 21ª posição, com R$ 2.293 – valor 29% abaixo da média nacional (R$ 3.225) e apenas 12% acima do Maranhão, estado com o menor indicador (R$ 2.049).

DF no topo, Norte e Nordeste na base
O Distrito Federal consolida-se como a unidade da federação com maior rendimento médio, superando em 56% a média brasileira e atingindo quase o dobro do valor de estados como São Paulo (R$ 3.907) e Rio de Janeiro (R$ 3.733). O desempenho é atribuído à concentração de servidores públicos na capital federal, categoria que tradicionalmente possui remuneração acima da média do setor privado.

Além do DF, apenas oito estados estão acima da média nacional: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Já as regiões Norte e Nordeste dominam as últimas posições. O Maranhão, por exemplo, tem rendimento equivalente a 40% do verificado no DF.

Recorde histórico, mas disparidades persistentes
Apesar das diferenças regionais, a média nacional de R$ 3.225 em 2024 é a mais alta da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Onze estados e o Distrito Federal também bateram recordes individuais, incluindo Rondônia, Espírito Santo e todos os três estados do Sul. Os dados, deflacionados para descontar a inflação, indicam melhora real no poder de compra, mas não suficiente para reduzir abismos históricos.

Metodologia e desafios
A pesquisa do IBGE considera todas as formas de ocupação – de empregos formais a trabalhos temporários e informais –, ouvindo 211 mil domicílios. Para especialistas, os números reforçam a necessidade de políticas públicas que estimulem a formalização e a produtividade em estados menos desenvolvidos. “Enquanto o Centro-Sul concentra indústria e serviços de alto valor agregado, parte do Norte e Nordeste ainda depende de atividades primárias e informalidade”, analisa Maria Silva, economista da Universidade Federal do Amazonas.

Ranking completo (rendimento médio mensal em 2024):

– Distrito Federal, R$ 5.043

– São Paulo, R$ 3.907

– Paraná, R$ 3.758

– Rio de Janeiro, R$ 3.733

– Santa Catarina, R$ 3.698

– Rio Grande do Sul, R$ 3.633

– Mato Grosso, R$ 3.510

– Mato Grosso do Sul, R$ 3.390

– Espírito Santo, R$ 3.231

– BRASIL, R$ 3.225

– Goiás, R$ 3.196

– Rondônia, R$ 3.011

– Minas Gerais, R$ 2.910

– Amapá, R$ 2.851

– Roraima, R$ 2.823

– Tocantins, R$ 2.786

– Rio Grande do Norte, R$ 2.668

– Acre, R$ 2.563

– Pernambuco, R$ 2.422

– Alagoas, R$ 2.406

– Sergipe, R$ 2.401

– Amazonas, R$ 2.293

– Paraíba, R$ 2.287

– Pará, R$ 2.268

– Piauí, R$ 2.203

– Bahia, R$ 2.165

– Ceará, R$ 2.071

– Maranhão, R$ 2.049

Carregar Comentários