Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um retrato acentuado da desigualdade regional no rendimento dos trabalhadores brasileiros. Enquanto o Distrito Federal lidera com um salário médio de R$ 5.043, o Amazonas aparece na 21ª posição, com R$ 2.293 – valor 29% abaixo da média nacional (R$ 3.225) e apenas 12% acima do Maranhão, estado com o menor indicador (R$ 2.049).
DF no topo, Norte e Nordeste na base
O Distrito Federal consolida-se como a unidade da federação com maior rendimento médio, superando em 56% a média brasileira e atingindo quase o dobro do valor de estados como São Paulo (R$ 3.907) e Rio de Janeiro (R$ 3.733). O desempenho é atribuído à concentração de servidores públicos na capital federal, categoria que tradicionalmente possui remuneração acima da média do setor privado.
Além do DF, apenas oito estados estão acima da média nacional: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Já as regiões Norte e Nordeste dominam as últimas posições. O Maranhão, por exemplo, tem rendimento equivalente a 40% do verificado no DF.
Recorde histórico, mas disparidades persistentes
Apesar das diferenças regionais, a média nacional de R$ 3.225 em 2024 é a mais alta da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Onze estados e o Distrito Federal também bateram recordes individuais, incluindo Rondônia, Espírito Santo e todos os três estados do Sul. Os dados, deflacionados para descontar a inflação, indicam melhora real no poder de compra, mas não suficiente para reduzir abismos históricos.
Metodologia e desafios
A pesquisa do IBGE considera todas as formas de ocupação – de empregos formais a trabalhos temporários e informais –, ouvindo 211 mil domicílios. Para especialistas, os números reforçam a necessidade de políticas públicas que estimulem a formalização e a produtividade em estados menos desenvolvidos. “Enquanto o Centro-Sul concentra indústria e serviços de alto valor agregado, parte do Norte e Nordeste ainda depende de atividades primárias e informalidade”, analisa Maria Silva, economista da Universidade Federal do Amazonas.
Ranking completo (rendimento médio mensal em 2024):
– Distrito Federal, R$ 5.043
– São Paulo, R$ 3.907
– Paraná, R$ 3.758
– Rio de Janeiro, R$ 3.733
– Santa Catarina, R$ 3.698
– Rio Grande do Sul, R$ 3.633
– Mato Grosso, R$ 3.510
– Mato Grosso do Sul, R$ 3.390
– Espírito Santo, R$ 3.231
– BRASIL, R$ 3.225
– Goiás, R$ 3.196
– Rondônia, R$ 3.011
– Minas Gerais, R$ 2.910
– Amapá, R$ 2.851
– Roraima, R$ 2.823
– Tocantins, R$ 2.786
– Rio Grande do Norte, R$ 2.668
– Acre, R$ 2.563
– Pernambuco, R$ 2.422
– Alagoas, R$ 2.406
– Sergipe, R$ 2.401
– Amazonas, R$ 2.293
– Paraíba, R$ 2.287
– Pará, R$ 2.268
– Piauí, R$ 2.203
– Bahia, R$ 2.165
– Ceará, R$ 2.071
– Maranhão, R$ 2.049