Pastores ligados a David Almeida são presos acusados de esquema de compra de votos

Pastores são acusados de envolvimento em esquema de compra de votos em Manaus.
Redação Imediato Online
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MANAUS-AM | Na manhã deste sábado (26), uma operação da Polícia Federal no bairro Monte das Oliveiras, em Manaus, resultou na prisão de dois líderes religiosos sob suspeita de envolvimento em um esquema de compra de votos. Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, ambos pastores da Igreja Pentecostal Unidos do Brasil, foram flagrados em posse de dinheiro que seria supostamente destinado a eleitores em troca de apoio a um candidato nas eleições municipais deste domingo (27).

Segundo a Polícia Federal, a denúncia inicial, recebida nas primeiras horas do sábado, relatava que líderes religiosos estariam reunidos em um mini centro de convenções da igreja para distribuir dinheiro a eleitores com o objetivo de favorecer a candidatura de Davi Almeida à prefeitura de Manaus. A denúncia, reforçada por mensagens de WhatsApp divulgadas no grupo da congregação, mencionava a necessidade de “votar em Manaus” para garantir o recebimento de “benefícios”.

Ao chegar ao local, agentes da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros realizaram uma abordagem disfarçada, mas logo foram reconhecidos e precisaram se identificar. Dentro da sala onde a reunião acontecia, os policiais encontraram uma mochila com envelopes de R$ 200, listas com nomes e uma quantia total de R$ 21.650 em espécie.

Pastores Alegam Distribuição para Ajuda a Congregados

Durante o interrogatório, os pastores negaram as acusações de compra de votos. Flaviano Paes Negreiros afirmou que o valor de R$ 38 mil foi doado por um membro da igreja, identificado apenas como “Eliezer” e supostamente vinculado à campanha de Almeida. O montante, segundo Negreiros, seria utilizado para ajudar pastores e obreiros com despesas de transporte para uma convenção da igreja marcada para a próxima semana. Negou, no entanto, que houvesse qualquer intenção de influenciar votos, embora tenha admitido que a distribuição de dinheiro na véspera das eleições possa ter sido “imprópria”.

Werter Monteiro Oliveira corroborou a versão de seu colega, explicando que a convocação pelo grupo de WhatsApp visava apenas reunir membros que votam em Manaus, excluindo os do interior para evitar custos de deslocamento desnecessários. Ele também justificou a entrega em espécie, afirmando que a congregação não está acostumada a lidar com transferências bancárias para essa finalidade. Ambos os pastores enfatizaram que o ato era meramente assistencial, sem qualquer conotação eleitoral.

Indícios Fortes de Corrupção Eleitoral

Apesar das alegações dos pastores, a Polícia Federal vê o caso como mais uma prática de corrupção eleitoral. O delegado João Marcello Rodrigues Uchôa, que conduziu a prisão, destacou que o uso de envelopes numerados e a referência explícita ao “voto em Manaus” na mensagem de convocação reforçam o caráter suspeito da reunião. Uchôa apontou ainda que a presença de um valor considerável em espécie e o controle de uma lista de beneficiários demonstram uma organização planejada para influenciar o resultado das eleições.

Os detidos foram enquadrados no artigo 299 do Código Eleitoral, que trata de crimes de corrupção eleitoral. Como prevê a legislação, Uchôa fixou uma fiança de R$ 15 mil para cada um dos suspeitos. As investigações continuarão, com a análise de mensagens e contatos registrados nos celulares dos envolvidos, que podem revelar outros participantes ou detalhes do suposto esquema.

Implicações Eleitorais

O caso, ocorrido a menos de 24 horas do segundo turno das eleições municipais, chama a atenção para a influência de líderes religiosos nas campanhas políticas. Com o compartilhamento de provas e dados com a Procuradoria Regional Eleitoral do Amazonas, o desdobramento do caso poderá afetar diretamente a campanha de Davi Almeida, o candidato ligado aos suspeitos. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas já foi informado e acompanha as investigações, que podem ter implicações legais para a candidatura.

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